EUA suspendem vôos do avião 787 da Boeing

O Estado de S.Paulo
QUINTA-FEIRA, 17 DE JANEIRO DE 2013


Problema na bateria obrigou aeronave da empresa japonesaANA afazer um pouso de emergência
Gustavo Chacra
CORRESPONDENTE / NOVA YORK

REUTERS

Cautela. No Japão, além da ANA, a Japan Airlines também suspende voos com o novo Boeing

A Federal Aviation Administration, como é chamada a agência que regula a aviação nos EUA, determinou que todos os aviões Boeing 787 Dreamliner fiquem sem voar temporariamente, depois de uma série de incidentes envolvendo este modelo, incluindo um ontem no Japão.

Segundo determinação da agência, as aeronaves precisarão provar que as baterias responsáveis pela maior parte desses incidentes são seguras. Depois disso, os aviões poderão voltar a ser utilizados em voos comerciais.

No começo da semana, o governo dos Estados Unidos havia determinado a revisão do 787 Dreamliner, considerado uma revolução tecnológica na aviação, depois do incêndio em um modelo de uma linha aérea japonesa estacionado em Washington.

Ao todo, há 50 aeronaves em uso pelas companhias LAN(Chile), LOT (Polônia), Air India, All Nippon Airlines (Japão), Japan Airlines, Air India, Qatar Airways, United Airlines e Air India.

No Japão, as duas companhias aéreas que utilizam o 787 e enfrentaram problemas com este modelo já haviam decidido parar de usar esses aparelhos. As aéreas ANA e Japan Air decidiram suspender os voos depois que o 787 fez uma aterrissagem de emergência por um problema na bateria que causou odor de fumaça na cabine do piloto.

Trata-se do sexto problema técnico que afetou unidades do 787 operadas pelas empresas nos últimos dez dias. As ações da companhia sentiram o baque, fechando em queda de 3,38% na Bolsa de Nova York.

Ontem, Noah Poponak, analista do Goldman Sachs, divulgou comunicado reduzindo a expectativa de retorno para a ação da Boeing no curto prazo. “Nós agora temos dois incidentes em um curto período de tempo apontando problemas relacionados à bateria”, disse o analista.Para ele,a checagem do componente pode levara uma possível desaceleração do ritmo de produção da aeronave.

Apesar dos incidentes nos últimos dias, Richard Aboulafia,vice-presidentedaconsultoria aeronáutica TealGroup, disse ao canal de notícias CNBC que “nada aponta que a aeronave seja defeituosa”. Mas ele lembrou que os contínuos episódios podem representar “custos enormes” tanto para a Boeing quanto para as companhias aéreas.

A Boeing precisa acertar o passo do Dreamliner, do qual tem 848 pedidos firmes, para recuperar sua posição de líder mundial de aviões de passageiros, posição que perdeu para a europeia Airbus.

O projeto,que saiu do papel em 2011, com três anos de atraso, é considerado revolucionário pelo uso de materiais inovadores e também pelo design. Aproveitando o interesse do mercado, a Boeing ampliou sua capacidade de produção para dez unidades por mês. Em 2012, a empresa recebeu o segundo maior número de pedidos da história: 1.203.

/COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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