Autoridades são criticadas por problemas com Boeing 787

Estado de S.Paulo
SEGUNDA-FEIRA, 21 DE JANEIRO DE 2013

Para alguns analistas, Departamento de Aviação dos EUA ainda não se adaptou às mudanças no processo de fabricação
DALLAS 

ELAINE THOMPSON/AP-17/1/2013

No chão. O Boeing 787 Dreamliner está proibido de voa
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Não foram as autoridades americanas que agiram primeiro ordenando que os Boeing 787 Dreamliner não decolem mais depois de dois problemas separados e graves com o sistema de baterias do avião. A iniciativa foi das empresas aéreas japonesas. Os problemas com o altamente conceituado aparelho levantaram novas dúvidas quanto à fiscalização por parte dos órgãos federais responsáveis, das fabricantes de aviões e empresas aéreas.

Alguns especialistas do setor questionam a capacidade do Departamento Federal de Aviação dos EUA (FAA, na sigla em inglês) de se adequar às mudanças no modo de fabricação das aeronaves – tanto os avanços tecnológicos como o uso de múltiplos fornecedores mundiais.

Outra questão levantada é se os agentes reguladores não estariam muito amistosos com relação às fabricantes. Quando anunciaram uma ampla revisão do Boeing 787 no início deste mês, os responsáveis da agência estavam ao lado de um executivo da Boeing e afirmaram que o avião é seguro e voariam com prazer num deles.

O secretário dos Transportes dos Estados Unidos, Ray LaHood,tambémreafirmouseuendosso ao avião na quarta-feira. Horas depois, a agência de aviação emitiu ordem proibindo qualquer aparelho 787 de decolar.

Apesar das preocupações, muitos especialistas em segurança acham que o atual processo regulatório funcionou – os aparelhos foram proibidos de voar antes de algum acidente ocorrer.

O 787 é o primeiro avião cuja estrutura é fabricada na maior parte com material composto em vez de alumínio. O avião depende mais dos sistemas elétricos do que dos mecânicos ou hidráulicos e é o primeiro a fazer grande uso de baterias de lítio para a pressurização da cabine e outras funções-chave.

Esses avanços tecnológicos podem obrigar a FAA a reexaminar o modo como vem realizando o seu trabalho. “De produtos de aviação fomos para os aeroespaciais, muito mais complexos”, disse Richard Aboulafia, analista do setor no Teal Group. “A FAA está equipada para lidar com questões da aviação. Assuntos aeroespaciais são outra coisa”.

Ex-membro da National Transportation Safety Board (Comitê Nacional de Segurança em Transportes), Kitty Higgins disse que a FAA precisa verificar se mudanças no seu processo de certificação teriam revelado os problemas nos sistemas de bateria do aparelho. “Eles precisam garantir qu e o processo de certificação esteja atualizado com o setor e as novas tecnologias.”

A Boeing está acelerando os trabalhos para solucionar o problema do sistema de baterias para os aparelhos voltarem a voar. A empresa continua fabricando o Dreamliner, mas suspendeu as entregas aos clientes. / AP COM TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

PARA LEMBRAR
O Boeing 787 foi lançado em 2007 e as primeiras entregas ocorreram em 2011. A diferença do aparelho em relação a outros é o uso de compostos de carbono em vez de alumínio. Por isso, utiliza baterias de lítio. Essas baterias apresentaram superaquecimento e obrigaram um avião a fazer um pouso de emergência no Japão quarta-feira. Autoridades dos EUA vetaram o uso da aeronave – medida seguida por todo o mundo.

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