Com menos voos de Gol e TAM, preço das passagens deve subir, diz presidente da Anac

Globo

Média das tarifas, no entanto, está em queda
DANIELLE NOGUEIRA, COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
Atualizado: 28/01/13 – 20h04
 

RIO – O presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Marcelo Guaranys, admitiu que a redução da oferta de voos feita desde o ano passado pelas companhias aéreas Gol e TAM podem levar a aumento no preço das passagens. Ele ressaltou, porém, que a média das tarifas vem caindo desde 2002, quando entrou em vigor a liberdade tarifária. Em 2002, 30% das passagens eram vendidas por menos de R$ 300. Em 2012, esse índice saltou para 70%,

— Se a demanda é constante e há redução da oferta (de voos), isso pode gerar uma pressão sobre os preços — disse Guaranys, adiantando que o balanço das tarifas de 2012 será divulgado apenas em março.
O IBGE apurou aumento de 11,8% das passagens aéreas em novembro, ante outubro, e apontou a alta como a vilã da inflação naquele mês (0,6%).

A demanda aérea doméstica deve crescer cerca de 10% em 2013, estimulada com melhores expectativas econômicas e eventos internacionais, segundo Guaranys. No ano passado, a demanda doméstica cresceu 6,79% em relação a 2011.

— Nós sempre projetamos um crescimento acima do PIB (Produto Interno Bruto) porque a aviação não para de crescer — disse ele. — A população tem mais renda hoje em dia e o mercado está mais flexível… projetamos para este ano um crescimento de cerca de 10 por cento — afirmou.

Por conta do crescimento da aviação geral (caracterizada por voos não regulares), que avançou 12% nos últimos três anos no Brasil, e o consequente aumento do número absoluto de acidentes, governo está apertando a fiscalização sobre jatos executivos e helicópteros, a chamada aviação geral.

Fiscalização detecta irregularidades em 3,5% dos voos

Terminou nesta segunda-feira a primeira operação integrada de fiscalização envolvendo a Anac, o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) – ligado ao Ministério da Defesa – e a Polícia Federal. Em quatro dias, foram acompanhados 1.243 voos e em 3,5% deles foram identificadas irregularidades.

Em 2011, foram 148 acidentes na aviação geral e em 2012 foram 172, segundo a Anac. A proximidade de grandes eventos esportivos no país, que devem dar novo impulso ao segmento, também foi uma das razões para a implementação do projeto.

A fiscalização ocorreu em sete aeródromos no Estado do Rio, entre eles Santos Dumont e Aeroporto de Jacarepaguá, e será a base para operações futuras em outros estados. A escolha do Rio para iniciar essa série de blitzes deve-se justamente aos eventos que a capital fluminense vai sediar neste e nos próximos anos, como a Jornada da Juventude, a Copa das Confederações, a Copa do Mundo e as Olimpíadas.

— No Rio o fluxo de aviação geral no fim de semana é grande e há grande quantidade de helicópteros que atendem o setor offshore (plataformas de petróleo em alto-mar). Além disso, a cidade vai sediar grande eventos. Por isso, decidimos começar o projeto de fiscalização por aqui — disse Wagner Bittencourt, ministro da Secretaria de Aviação Civil (SAC), em evento para anunciar o balanço da fiscalização.

A SAC coordenou a operação, para a qual foram mobilizados 220 servidores. Entre as irregularidades encontradas estavam falta de manutenção de aeronaves e desvios de rotas. A Anac ainda não dispõe de um balanço das multas, mas informou que elas podem variar entre R$ 3 mil e R$ 7,5 mil.

Bittencourt também informou que o governo estuda a construção de novos aeroportos em algumas capitais brasileiras, entre elas Porto Alegre e cidades do Nordeste. Segundo ele, nessas cidades, a área para expansão dos atuais aeroportos é limitada e, por isso, para atender a demanda futura será preciso a construção de novos terminais.

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