Japão reduziu padrões de segurança antes de Boeing 787 estrear, dizem fontes

Do UOL, em São Paulo

28/01/201312h12

  • Boeing 787 da companhia japonesa ANA fez um pouso não programado, em 16 de janeiro, no sul do Japão

O governo japonês reduziu, em 2008, as exigências de segurança para o Boeing 787 Dreamliner –aeronave que teve os voos suspensos após uma série de incidentes–, de acordo com registros e participantes do processo citados pela agência de notícias Reuters.

No entanto, não há relação direta comprovada entre a decisão do governo japonês de afrouxar as exigências de segurança e os incidentes com a aeronave.

“Nós reduzimos nossos padrões em comparação a outros países. Isso foi uma revisão pragmática”, disse à Reuters o chefe de engenharia da Agência de Aviação Civil japonesa, Tatsuyuki Shimazu.

O motivo teria sido acelerar o uso do novo modelo de avião pelas grandes companhias aéreas japonesas, após pressão da All Nippon Airways (ANA) e da Japan Airlines (JAL), e de um esforço para apoiar empresas japonesas que fornecem 35% dos componentes do 787, disseram à Reuters fontes envolvidas nas deliberações.

Segundo a Reuters, a ANA e a JAL se recusaram a comentar o assunto, pedindo que perguntas sobre padrões regulatórios fossem feitas a autoridades de aviação e ao ministério. Representantes da Boeing em Tóquio não foram imediatamente localizados pela agência para comentar o caso.

“Acredito que os pedidos de mudanças tenham vindo inicialmente das companhias aéreas. Em última instância, era uma discussão sobre medidas para reduzir os custos operacionais das empresas aéreas”, disse o chefe de aviação da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão, Masatoshi Harigae, um dos conselheiros externos que pediram um alívio nos padrões regulatórios.

Em 17 de janeiro, a Autoridade Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês) dos Estados Unidos determinou a suspensão, no mundo todo, dos voos com o modelo Boeing 787 Dreamliner, após ocorrerem ao menos seis incidentes envolvendo a aeronave em menos de dez dias.

Entre os episódios que levaram à determinação da FAA, estão os casos de uma bateria que pegou fogo, com o avião ainda em solo, e do vazamento de combustível da aeronave.

(Com Reuters)

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