Demissão na Latam e na Gol segue tendência mundial

Valor Econômico
04/03/2013 às 00h00

Por Alberto Komatsu | De São Paulo

“Recebi um Sedex na sexta-feira, comunicando que o meu contrato de trabalho estava encerrado. Me sinto aviltado. Tenho uma filha pequena que desde que eu fui reintegrado à Webjet pergunta porque o papai não está trabalhando”. Esse relato é de um piloto da Webjet, demitido no fim de semana pela Gol. Poderia ser um caso isolado, mas o próprio comandante, que pediu anonimato, sabe que é um personagem cada vez mais comum no mundo da aviação.

Na sexta-feira, a Gol, que comprou a Webjet em julho de 2011, informou ao Sindicato Nacional dos Aeroviários o corte de 850 funcionários que haviam sido reintegrados à Webjet no fim de dezembro, por força de liminar. Haviam sido demitidos no fim de novembro, quando a Webjet foi extinta.

A Gol tem afirmado que fez a reintegração, mas os sindicalistas contestam e dizem que a recontratação teria de ser feita pela Gol e não pela Webjet, pois os recontratados não trabalharam. Os trabalhadores vão recorrer ao Ministério Público do Trabalho, autor da ação que originou a liminar para a recontratação. A Justiça trabalhista do Rio ainda deve publicar sua decisão final sobre o caso.

Ainda na sexta-feira, a Latam, holding da fusão entre a LAN e a TAM Linhas Aéreas, divulgou o início de demissões em três aeroportos internacionais, de São Paulo (Cumbica), do Rio de Janeiro (Galeão) e de Foz do Iguaçu. A presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino, afirmou ter recebido informações de que os cortes chegariam a 500. “Mas não conseguimos confirmar isso com a diretoria da empresa”.

Só em Cumbica, foram 24 demitidos na LAN. Em nota, a Latam, cuja fusão foi anunciada em agosto de 2010, cita a busca de “sinergias esperadas com a união”, mas não divulgou a quantidade de cortes. Informou que “os funcionários impactados neste processo receberão todos os direitos trabalhistas garantidos por lei”.

As demissões iniciadas pela Gol e pela Latam integram um contexto mundial de consolidação. Em fevereiro, a Iberia, em processo de fusão com a British Airways, anunciou o corte de 3,8 mil empregados. Em maio de 2012, a alemã Lufthansa, que se uniu à Swiss em 2005, informou a dispensa de até 3,5 mil pessoas. Um mês depois, a Air France KLM, criada em 2003, divulgou o corte de 5,1 mil pessoas até o fim deste ano.

Na recente fusão entre American Airlines e US Airways, e na holding United Continental, anunciada em maio de 2010, há expectativa de cortes de pessoal.

“A aviação é conduzida por ciclos. De 2005 a 2008, foram demitidos 10 mil trabalhadores da Varig, 4 mil da Vasp e 3 mil da Transbrasil. Mas eles foram readmitidos”, diz a diretora do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziella Baggio. Para ela, a situação atual é preocupante por causa da incerteza sobre o crescimento econômico e por conta do quadro de redução de oferta da Gol e da TAM.

Graziella lembrou que as aéreas brasileiras foram beneficiadas recentemente pelo governo, com a desoneração da folha de pagamento e o adiamento do reajuste de 86% nas tarifas de navegação aérea, previsto para janeiro. “A forma como estão atuando na questão social é muito preocupante”, disse.

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