Embraer prevê menor receita com jatos comerciais

Valor Econômico
14/03/2013 às 00h00

Por Virgínia Silveira | Para o Valor, de São José dos Campos

O mix de jatos comerciais a serem comercializados pela Embraer em 2013 vai mudar e reduzir a participação deste segmento na receita líquida da companhia, estimada pela empresa entre US$ 5,9 bilhões e US$ 6,4 bilhões. Segundo a Embraer, a aviação comercial deverá responder por 52% desse valor, ante os 61% do ano passado.

“A explicação para a redução é porque teremos muito mais vendas de jatos E175 em 2013 do que dos modelos E190 e E195, que custam mais caro”, disse o presidente da Embraer, Frederico Fleury Curado, em teleconferência realizada ontem com analistas sobre o balanço do quarto trimestre de 2012.

Segundo a Embraer, o preço de lista do E 175 é de US$ 41,8 milhões. O E190 custa US$ 46,2 milhões e o E195 em torno de US$ 49 milhões. Os preços estão atualizados para o ano de 2013.

Segundo Curado, a Embraer projeta demanda entre 300 a 400 jatos na categoria do modelo E175 (de 70 a 75 assentos) no mercado americano nos próximos 18 a 24 meses. A companhia aguarda, ainda para este ano, a decisão de compra das operadoras americanas, como a US Airways, em processo de fusão com a American Airlines e a United Airlines.

Para tornar o produto mais competitivo nesse mercado, a companhia brasileira está incorporando mudança no E175 que permitem redução de combustível de 5%. A expectativa da companhia é que, a partir de novembro, os clientes possam receber as aeronaves com reforço adicional nas asas, primeiro passo no processo de melhorias.

O projeto da segunda geração dos E-Jets ainda não foi aprovado formalmente pelo conselho de administração da Embraer. Os novos jatos serão equipados com motores Pratt & Whitney e sistemas aviônicos da Honeywell. Os atuais voam com motores GE. De acordo com Curado, o novo avião deverá estar no mercado em 2018.

A Embraer também informou que já foram identificados potenciais compradores para todos as 39 jatos ERJ-135, de 37 assentos, que foram devolvidos pela AMR, controladora da American Airlines. Segundo o vice-presidente executivo financeiro e de relações com investidores da Embraer, José Antônio Filippo, sete aeronaves já foram revendidas e cinco estão em processo final de negociação com clientes.

O BNDES financiou 216 jatos de pequeno porte da Embraer para a AMR. As aeronaves, que já deixaram de ser produzidas pela empresa, foram entregues entre os anos de 1998 e 2002. Em maio de 2012, a dívida da AMR com o BNDES era de US$ 1,6 bilhão. Segundo a assessoria de imprensa do banco, o valor pendente hoje é de aproximadamente US$ 1,1 bilhão. “A AMR vem cumprindo regularmente o cronograma de pagamento da dívida, amortizada em parcelas semestrais”, informou o Banco.

O Valor apurou que o BNDES está tranquilo em relação ao plano de recuperação da AMR e que não existe risco de inadimplência. “Mesmo porque, é do maior interesse da AMR que as relações com o BNDES sejam as melhores possíveis, pois a companhia já sinalizou a intenção de adquirir novas aeronaves da Embraer, assim que o processo de fusão esteja consolidado e a empresa fortalecida”, disse uma fonte ligada ao banco.

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