Dilma faz acordo e mantém presidente da Infraero

O GLOBO
Terça-feira 19.3.2013

Exigência foi imposta ao PMDB em troca do comando da Secretaria de Aviação Civil para Moreira Franco
GERALDA DOCA
geralda@bsb.oglobo.com.br

-BRASÍLIA- O presidente da Infraero, Gustavo do Vale — que é funcionário de carreira do Banco Central — continuará à frente da estatal. Essa foi a exigência da presidente Dilma Rousseff feita ao PMDB para dar o comando da Secretaria de Aviação Civil (SAC) a Moreira Franco, ex-ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos. Ele vai substituir Wagner Bittencourt, do BNDES, que assumiu a SAC há cerca de dois anos. A Infraero está debaixo do guarda-chuva da SAC, e há uma preocupação do governo em não permitir que a empresa vire novamente um cabide de emprego, como foi no passado, sobretudo do próprio partido. Dessa forma, a atual diretoria da Infraero também deverá ser mantida.

Segundo interlocutores, a Infraero passa por um processo de modernização na gestão. O estatuto foi alterado e a empresa tem projetos para tocar com a iniciativa privada não só na concessão dos aeroportos, mas também em parceria com grandes operadores estrangeiros na prestação de serviços, com a criação da Infraero Serviços. O governo pretende preparar a estatal para futura abertura de capital.

Entre as missões do novo ministro está a concessão de Galeão e de Confins (Belo Horizonte), com licitação prevista para setembro. Para os dois aeroportos, a estimativa de investimentos é de R$ 11,4 bilhões. Os estudos que vão fundamentar os editais ficarão prontos em abril.

Além disso, a SAC vai comandar um programa audacioso para estimular a aviação regional, que prevê investimentos públicos de R$ 7,3 bilhões, a fim de incrementar o serviço do transporte regular de passageiros em 270 aeroportos de pequeno porte em todo o país. O dinheiro virá do Fundo Nacional de Aviação Civil, que será abastecido pelo pagamento dos novos concessionários dos aeroportos.

Bittencourt deverá voltar para o BNDES. No ano passado, ele passou por um processo de “fritura”, acusado de ter sido o responsável pelo resultado do leilão de Guarulhos, Brasília e Viracopos, que deixou de fora grandes operadores estrangeiros. Ele fora indicado por Luciano Coutinho, presidente do BNDES, numa alternativa ao nome preferido da presidente, o de Rossano Maranhão, ex-presidente do Banco do Brasil. Maranhão atua na iniciativa privada e não aceitou o convite.

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