Agência de aviação dos EUA pode afrouxar regras sobre uso de eletrônicos em voo

Folha de São Paulo
25/03/2013 – 16h52

NICK BILTON
DO “NEW YORK TIMES”

Se você está sentado em um avião no portão de embarque e lendo esta coluna em um aparelho eletrônico, você está prestes a ouvir oito palavras temidas: “Por favor, desligue os aparelhos eletrônicos para a decolagem.” Mas, no próximo ano, você poderá ouvir algo muito diferente: “Por favor, coloque seus dispositivos em ‘modo avião’ para a decolagem.”

De acordo com pessoas que trabalham com um grupo de trabalho da indústria formado pela FAA, a administração federal de aviação dos EUA, criado no ano passado para estudar o uso de dispositivos eletrônicos portáteis em aviões, a agência espera anunciar até o fim deste ano que vai relaxar as regras para dispositivos de leitura durante decolagem e pouso. A mudança não inclui celulares.

Uli Seit/The New York Times
13084397Tony Drockton usa seu computador dentro de avião no
aeroporto John F. Kennedy, em Nova York


Um dos membros do grupo e um funcionário da FAA, que pediram anonimato porque não estavam autorizados a falar publicamente sobre discussões internas, afirmaram que a agência estava sob enorme pressão para deixar as pessoas usarem dispositivos de leitura em aviões ou para fornecer uma sólida evidência científica sobre por que elas não podem fazê-lo.

Como escrevi em 2011, os viajantes são aconselhados a desligar seus iPads e Kindles para decolagem e pouso, embora não haja ainda nenhuma prova de que esses dispositivos possam afetar a operação do avião. Para aumentar a confusão, a FAA permite que os passageiros usem barbeadores elétricos e gravadores de áudio durante todas as fases do voo, apesar de estes gerarem mais emissões eletrônicas do que tablets para leitura.

Procurada, a FAA não quis comentar o assunto.

No ano passado, a agência anunciou que um grupo de trabalho estudaria a questão. O grupo, que se reuniu pela primeira vez em janeiro, é formado por pessoas de várias indústrias, incluindo a Amazon, a Consumer Electronics Association, a Boeing, a Associação de Comissários de Bordo, a FCC (Comissão Federal de Comunicações) e fabricantes de aeronaves. O grupo planeja apresentar as suas conclusões até 31 de julho.

O grupo tem vários objetivos além de determinar a segurança de produtos eletrônicos em aviões, de acordo com um documento interno ao qual o “New York Times” teve acesso. Estes incluem assegurar que os comissários de bordo não têm que ser a polícia social para definir quais dispositivos são aceitáveis durante o voo e determinar o que o termo “modo avião” realmente significa. Finalmente, o grupo quer garantir que as regras que a agência anunciar se apliquem a dispositivos que não estão no mercado hoje.

O relatório também espera substituir várias regulamentações com um conjunto único e conciso.

Para garantir que a FAA siga adiante com sua promessa de flexibilizar as regras, a senadora Claire McCaskill, democrata do Missouri, disse que planeja responsabilizar a agência pela introdução de legislação.

Em entrevista por telefone, McCaskill disse que estava frustrada com a posição da FAA sobre dispositivos depois que soube que a agência agora permite iPads como manuais de voo no cockpit e posteriormente deu dispositivos para alguns comissários de bordo com informações sobre os procedimentos de voo.

“Então não há problema em ter iPads no cockpit, é OK para assistentes de voo –e eles não estão em pânico–, mas ainda não é OK para o público que viaja”, disse ela. “Uma cópia voadora de ‘Guerra e Paz’ é mais perigosa do que um Kindle.”

Nos últimos meses, Julius Genachowski, presidente da FCC, enviou uma carta para a FAA instando-a a permitir o uso de eletrônicos em aviões. Sindicatos de pilotos de avião, coligações de viagens e agências de viagens também pediram que a agência mude as regras. Também houve mais episódios de passageiros indisciplinados que foram presos ou tirados de aviões por se recusarem a desligar seus celulares ou iPads.

McCaskill se reuniu neste mês com Genachowski, que disse na sexta-feira (22) que vai deixar a comissão em breve, para discutir a regra. Após a reunião, ela disse: “A ideia de que o uso de dispositivos eletrônicos em voos para coisas como a leitura de um livro representa uma ameaça para a segurança dos passageiros de avião é infundada e ultrapassada”.

A questão cresce em importância à medida que mais americanos embarcam em voos com computadores vestíveis. As pessoas estão voando com eletrônicos como a FuelBand, da Nike, o Jawbone Up e o FitBit, que rastreiam a atividade diária do usuário. Mas, em pouco tempo, haverá passageiros com óculos do Google e com um iWatch, da Apple.

Você pode imaginar os pilotos mandando as pessoas desligarem seus óculos antes da decolagem?

“Nós vamos começar a elaborar a legislação que ditará essas mudanças”, disse McCaskill, acrescentando que a FAA estava se movendo muito lentamente. Ela disse que tem se reunido com vários partidos e encurralando apoio bipartidário para a ação no Congresso. “Vamos esperar que não seja necessário, mas eu estarei à procura de meios para conseguir mudar isso.”

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