Sistema antineblina do aeroporto de Cumbica servirá só para 30% dos voos

07/05/2013 – 04h00

 

RICARDO GALLO
DE SÃO PAULO

Ao custo de R$ 8,9 milhões, o sistema antinevoeiro prestes a entrar em operação no aeroporto internacional de Cumbica, em Guarulhos (Grande São Paulo), atenderá a minoria dos voos e será usado raramente –pouco mais de um dia a cada ano.

Chamado de “ILS (sistema de pouso por instrumentos, na sigla em inglês) categoria 3a”, o equipamento estará em funcionamento neste inverno, disse a Infraero, estatal que o comprou e o instalou.

A maioria dos passageiros que usa Cumbica não será beneficiada pelo equipamento.

Isso porque usar o antinevoeiro requer que as companhias aéreas tenham aviões certificados e pilotos treinados –o que TAM, Gol, Azul e Avianca Brasil não têm.

Elas são responsáveis por 70% dos voos no aeroporto.

Assim, quando houver nevoeiro em Cumbica, o que deve ocorrer principalmente no mês que vem, os voos dessas empresas terão que ser desviados para outros lugares.

JUSTIFICATIVA

A justificativa das empresas é o custo: treinar pilotos é caro e exige treinamento constante. Em Cumbica, que fecha cerca de 40 horas (0,4% do ano) ao ano por causa da neblina, o investimento não compensa, diz Ronaldo Jenkins, diretor da Abear, associação que reúne TAM, Gol, Azul e Avianca.

As maiores companhias, diz ele, são habilitadas para o ILS 2, na qual os pousos ocorrem com visibilidade horizontal mínima de 350 metros. Enquadram-se nesse requisito quase todas as operações em Cumbica, afirmou.

O equipamento prestes a operar permite pousar com visibilidade ainda menor, de 175 metros.

Serão beneficiadas as companhias aéreas americanas e europeias, que, por atuar em condições climáticas adversas em seus países de origem, são certificadas para usar o equipamento. A alemã Lufthansa, por exemplo, afirmou que está apta a fazê-lo.

Editoria de arte/Folhapress
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OUTRAS TECNOLOGIAS

Na Europa e nos EUA está em discussão a adoção de outras tecnologias como alternativa ao ILS 3, considerado caro, com o uso de satélites para ajudar o avião a pousar, em vez de aparelhos no solo.

A Anac informou que os requisitos para o sistema antinevoeiro funcionar ainda não foram cumpridos integralmente para liberar o seu uso.

A agência informou estar em contato com a nova administração de Cumbica, a concessionária GRU Airport, para que haja as alterações necessárias para o ILS categoria 3 começar a funcionar.

ATRASO

O equipamento está instalado desde janeiro do ano passado em Cumbica, mas ainda não têm autorização da Anac para operar.

A implantação deveria ter sido feita em dezembro de 2011, um ano e meio atrás, segundo estimativa da própria Infraero.

OUTRO LADO

A Infraero não se manifestou sobre o fato de o equipamento de R$ 8,9 milhões atender a uma pequena parte dos voos de Cumbica. A Folha enviou questões à estatal anteontem à noite.

À reportagem um dirigente da companhia mostrou insatisfação com o fato de as companhias aéreas não treinarem tripulações para usar o equipamento antineblina.

A TAM informou que está em processo de pedir à Anac aval para usá-lo nos seus aviões maiores, que fazem rotas intercontinentais (Boeings 767 e 777 e Airbus A330), assim como treinar as tripulações a fazê-lo.

A Gol informou que aguardará a implantação do ILS 3 antes de se manifestar. Em janeiro de 2012, a empresa havia dito à Folha não ter interesse em adotá-lo, pois seus aviões são autorizados a usar o ILS 2, tido como suficiente.

A Azul diz que tem interesse em habilitar parte da frota. A Avianca não respondeu.

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