Gol deve reduzir endividamento com recursos de IPO da Smiles

Folha de São Paulo
14/05/2013 – 13h09

DA REUTERS

Após encerrar o primeiro trimestre de 2013 com dívida líquida de R$ 3,7 bilhões, a Gol Linhas Aéreas diz contar com os recursos da oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) de sua empresa de fidelidade, a Smiles, para reduzir sua alavancagem até o fim do ano.

A expectativa de entrada de recursos decorrentes do IPO da Smiles levam a empresa aérea a acreditar que encerrará o ano com uma relação de dívida líquida de 6 vezes o Ebitdar (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação, amortização e aluguel de aeronaves), que no primeiro trimestre do ano registrou uma relação de 17,8 vezes.

Gol tem prejuízo líquido de R$ 75,3 milhões no 1º trimestre
Em primeiro balanço após IPO, Smiles lucra R$ 30 milhões

“Nossa alavancagem cairá a um número próximo de 6 vezes ao final do ano, que é de fato muito diferente dos 25 vezes do final de 2012”, disse o diretor de finanças e relações com investidores da Gol, Edmar Lopes, em teleconferência com analistas.

“Assistiremos a uma redução a cada trimestre da alavancagem da companhia. A empresa está num nível elevado, mas sempre esteve nos nossos planos a redução em 2013”, afirmou Lopes.

Em abril, a Smiles movimentou R$ 1,132 bilhão em sua oferta pública inicial de ações, com a venda de 52,173 milhões de papéis, sendo que os recursos serão destinados ao pagamento adiantado de passagens da Gol compradas pela empresa de fidelidade.

Lopes afirmou que a entrada dos recursos dessa oferta no caixa da Gol devem levar a uma “dívida líquida zero” no segundo trimestre.

“Com os novos efeitos que impactam nosso caixa positivamente, como vendas antecipadas de milhas, da compra pela Smiles, a Gol alcançará um indicador importante de solidez do mercado, que é dívida líquida zero. Teremos em caixa o equivalente a nossa dívida financeira”, disse, acrescentando que a Gol não possui dívida com vencimento antes de 2015.

A Gol viu sua dívida crescer em meio ao aumento nos preços de combustíveis e em meio à compra da WebJet, cuja aquisição foi concluída no fim de 2011 com o pagamento de R$ 70 milhões e com a empresa assumindo dívidas de cerca de R$ 200 milhões.

COMBUSTÍVEL E NOVOS VOOS

Em meio à pressão das empresas aéreas por redução no ICMS sobre combustível de aviação sobre governos estaduais, o Distrito Federal anunciou a redução da alíquota de 25% para 12%, mas segundo o presidente da Gol, Paulo Kakinoff, o impacto na empresa será de R$ 8 milhões a R$ 9 milhões.

“A redução do ICMS em Brasília entra em vigor no final de junho. No caso da Gol, projetamos para o segundo semestre, entre 8 milhões e 9 milhões de reais advindos dessa medida”, disse a jornalistas.

Segundo o diretor financeiro da empresa, Brasília representa 7% da malha aérea da empresa, e acrescentou que pode reavaliar a quantidade de voos da Gol com origem e destino à capital brasileira após a mudança.

Em voos internacionais, Kakinoff afirmou que a empresa deve lançar no segundo semestre novos voos para a América Central e América do Norte, após ter iniciado, no fim de 2012, voos para Miami e Orlando, nos Estados Unidos, e Santo Domingo, na República Dominicana.

“Temos a expectativa de ampliar os destinos no segundo semestre para a América Central e do Norte, mas no momento, por questões estratégicas, a gente não pode especificar quais seriam esses mercados”.

METAS

Apesar das perspectivas positivas para o endividamento, a empresa encerrou o primeiro trimestre de 2013 com prejuízo de R$ 75,3 milhões, 81,8% acima do registrado no mesmo período de 2012.

A empresa evitou dar estimativas sobre quando voltará a dar lucros, mas manteve suas projeções para 2013, de crescimento igual ou acima de 10% na receita por assento-quilômetro oferecido (RASK) e margem operacional entre 1% e 3%. Porém, Lopes ressaltou que as perspectivas com a economia brasileira representam um risco.

“A curva de petróleo está mais baixa que 60 dias atrás e isso favorece companhias aéreas. Por outro lado, o PIB, se há 45 dias alguns ainda falavam em crescimento de 3%, hoje ninguém fala disso, e esse é o nosso maior fator de risco para as metas”.

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