Ethiopian quer ser primeira a operar o 787 no país

Valor Econômico
22/05/2013

Por Alberto Komatsu | De São Paulo

An Ethiopian Airlines' 787 Dreamliner departs from the Bole International Airport in Addis Ababa
Companhia prevê três voos por semana com o Boeing 787 Dreamliner no Brasil, mas
ainda não tem horários de pouso e decolagem concedidos pela Anac

A Ethiopian Airlines pretende ser a primeira companhia aérea a operar o Boeing 787 Dreamliner no Brasil, a partir de 1º de julho, quando planeja fazer a sua estreia no país com a rota Adis Abeba (capital da Etiópia), Lomé (Togo), Galeão (Rio de Janeiro) e Cumbica (São Paulo). O plano é ter três voos por semana, com o retorno a partir de Cumbica, conexão em Lomé e destino em Adis Abeba.

A companhia, contudo, ainda não tem os horários de pouso e decolagem (hotrans, no jargão do setor) desses voos. A Anac informou ontem que a empresa também não comunicou que quer operar o 787 no país, seu primeiro destino latino-americano.

Por isso, a Ethiopian foi notificada pela Anac por vender passagens para a nova rota no Brasil um dia após receber permissão para operar voos regulares no país, em 18 de março. Uma empresa aérea só pode operar voos no mercado brasileiro e vendê-los se tiver hotrans concedidos pela Anac. Segundo a agência, não constam no seu sistema pedidos de hotrans regulares ou não regulares da Ethiopian.

Uma simulação de compra de passagens da nova rota a partir da capital etíope para São Paulo, para o dia 1º de julho, feita pelo Valor, mostra que o site da empresa oferece preços para essa rota, com retorno no dia 10 de julho.

O representante da Ethiopian no Brasil, Marcos Teodoro, afirmou que desde que foi notificada, a Ethiopian retirou a possibilidade de o passageiro concretizar a compra pelo site. Segundo ele, o cliente é avisado a entrar em contato com o escritório que representa a Ethiopian no Brasil, a Aviareps, empresa de origem alemã com representação de cerca de 90 companhias aéreas em todo o mundo.

“Nosso plano era ter iniciado a operação no Brasil há seis meses, mas isso não foi possível por causa da burocracia brasileira”, afirmou Teodoro, acrescentando que todos os pedidos de autorização foram encaminhados à Anac.

Segundo o executivo, desde segunda-feira o sistema de reservas confirma a operação do 787 na rota para o Brasil.

Depois de ter ficado no chão desde janeiro, por causa de problemas na bateria, o 787 Dreamliner, considerado o avião mais moderno da atualidade, voltou a operar no dia 27 de abril.

Foi quando a própria Ethiopian se tornou a primeira companhia a retomar a operação comercial do 787, após os reparos na bateria desse avião terem sido autorizados pela FAA, autoridade reguladora da aviação dos Estados Unidos.

“Queremos ser uma opção de conexão para as regiões Norte, Central e Oeste da África, além de uma porta de entrada para a Ásia e para o Oriente Médio, a partir de Adis Abeba”, disse Teodoro, acrescentando que a Ethiopian negocia acordos de compartilhamento de voos (“code-share”) com empresas brasileiras e latino-americanas

Teodoro disse que o 787 só deixará de operar no país se houver algum problema com outra aeronave do mesmo modelo da Ethiopian em alguma outra rota. A empresa tem com cinco Dreamliner, com capacidade para 270 passageiros.

No total, a Ethiopian tem 54 aeronaves em sua frota e mais 41 encomendas. A empresa, 100% estatal, opera em 68 destinos internacionais e 17 domésticos.

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