Entrada em Congonhas aumenta valor da Azul

O Estado de S.Paulo
TERÇA-FEIRA, 28 DE MAIO DE 2013

Para especialistas, empresa chegará à Bolsa de Valores com preço maior se mudanças regulatórias no aeroporto forem aprovadas antes do IPO
Marina Gazzoni

A empresa aérea Azul chegará à Bolsa de Valores com preço maior se as mudanças na regulação do setor aéreo que estão em estudo no governo forem aprovadas antes de sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla cm inglês), afirmaram ao ‘Estado’ quatro fontes do setor. A companhia registrou na última sexta-feira o seu pedido de abertura de capital à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o primeiro passo para a realização do IPO, estimado em cerca de R$ 1 bilhão.

O governo encerrou em março urna consulta pública para alterar as regras de distribuição de slots (horários de pouso e decolagem) no Aeroporto de Congonhas, que prevê basicamente a abertura do espaço para novas companhias aéreas, principalmente a Azul. A versão final do documento deve ser divulgada até o fim de junho, informaram na semana passada representantes do governo ao Broadcast, serviço cm tempo real da Agência Estado.

“Os investidores compram ações de olho em uma promessa futura de resultado. Com espaço em Congonhas e com o plano de aviação regional do governo, a perspectiva de resultado da empresa é muito melhor”, diz uma fonte de mercado.

A entrada em Congonhas adiciona valor à Azul porque lhe dá acesso ao mercado mais rentável do país,onde as companhias aéreas conseguem cobrar as maiores tarifas, explica o professor de transporte aéreo da USP, Jorge Leal Medeiros. “É o filé mignon do mercado doméstico”, explicou.

Apesar de admitir que o IPO da empresa tende a ser mais rentável com a entrada da Azul em Congonhas, uma fonte próxima a operação diz que o IPO não está atrelado às mudanças regulatórias do setor aéreo. “Os ganhos não dependem disso, mas certamente dará um ‘plus’ no valor das ações.”

No prospecto preliminar da oferta, a empresa afirma que pode ser beneficiada pela nova regra de distribuição de slots em Congonhas que está em avaliação no governo. “A nova regulamentação (de Congonhas), com publicação prevista para o ano de 2013. pode nos beneficiar na medida cm que nos permitirá penetrar em aeroportos mais importantes onde os slots estão atualmente concentrados com algumas empresas aéreas”, diz a Azul, no prospecto.

A empresa também afirma no documento que o plano do governo de reformar aeroportos regionais e oferecer subsídios para voos que levam passageiros ao interior do País, anunciado em dezembro do ano passado, pode ajudar seu projeto de expansão. “Acreditamos que o pacote de incentivos do governo federal para o setor de aviação regional dará suporte à expansão de nossa malha aérea “, disse a Azul, no prospecto preliminar da oferta de ações.

Resultado. Assim como suas concorrentes, a Azul fechou o ano passado com prejuízo liquido de RS l70 milhões, uma alta de 62% em relação às perdas de 2011. Mas, no primeiro trimestre deste ano, a empresa foi lucrativa — uni resultado líquido de R$ 30 milhões, segundo informações do prospecto.

Para o professor da USP,o resultado trimestral positivo pesou na decisão da empresa de lançar ações neste momento. “O IPO já era esperado há dois anos, mas o merca do de aviação e de capitais estava ruim. Agora a empresa começa a dar lucro e tem uma participação de mercado maior”, disse Medeiros.

A Azul alcançou receita de RS bilhões em 2012, considerando o resultado da Trip, adquirida h um ano. As duas empresas somaram 16,74% de participação nos voos domésticos brasileiros em março, 2,56 pontos porcentuais a mais que há um ano.

COLABOROU LUCIANA COLLET

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O membro do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) Ricardo Ruiz disse ontem que Congonhas vive um problema concorrencial “crítico”, que chamou de “duopólio” de TAM e Gol.


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