Aéreas aprovam plano para neutralizar emissão de CO2

O Globo
Terça-feira 4.6.2013

Lucro de companhias deve crescer 67% este ano, para US$ 12,7 bilhões
DANIELLE NOGUEIRA
danielle.nogueira@oglobo.com.br

-CIDADE DO CABO, RIO E BRASÍLIA- As companhias aéreas reunidas na 69ª Conferencia Internacional da Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês) aprovaram resolução que define estratégias para neutralizar as emissões de gás carbônico (CO²) do setor a partir de 2020.

As aéreas propõem que seja criada uma regulação global no âmbito da Organização das Nações Unidas (ONU) que incluiria uma espécie de mercado de crédito de carbono. Propõem ainda que as empresas sejam obrigadas a respeitar determinados níveis de emissões e que essa limitação seja diferenciada para companhias já consolidadas no mercado e aéreas que estão em rápido crescimento. A ideia lembra o Protocolo de Kyoto, que estabeleceu metas diferenciadas para países em desenvolvimento e países desenvolvidos no que diz respeito às restrições na emissão de gases do efeito estufa.

O entendimento da Iata é que as empresas aéreas que estão no mercado há poucos anos ou estão em rápido crescimento, concentradas em regiões como Ásia e América Latina, têm direito de cumprir com as limitações nas emissões de forma mais flexível.

A associação sugere que seja criada uma espécie de mercado de crédito de carbono para as companhias aéreas e que a venda e compra dos créditos sigam critérios segundo os diferentes estágios de crescimento das companhias. Esses créditos, por exemplo, poderiam ser comprados de outras indústrias menos poluentes. Caberia aos governos, por sua vez, regular os inventários das empresas.

A proposta será levada em setembro à assembleia geral da Icao, órgão das Nações Unidas para o setor de aviação. A discussão na esfera intergovernamental, porém, promete ser dura. Na votação de ontem na conferência anual da Iata, quatro das cerca de 240 aéreas reunidas na Cidade do Cabo, onde o evento se encerra hoje, votaram contra a resolução. As empresas de China e Índia alegaram que os critérios para tratamento diferenciado não estão claros. TAM e Gol, as únicas brasileiras presentes no evento, votaram a favor da resolução.

A resolução aprovada ontem ratifica documento firmado em 2010 pelas aéreas que estabeleceu três metas para o setor: melhoria de 1,5% ao ano na eficiência das aeronaves, neutralização das emissões de CO² em 2020 e redução em 50% do nível das emissões de CO², tendo como referência o ano de 2005.

O lucro das empresas aéreas deve alcançar US$ 12,7 bilhões este ano ou 67% acima do registrado em 2012 (US$ 7,6 bilhões), segundo dados revisados divulgados pela Iata. A previsão é de um fluxo mundial de 3,1 bilhões de pessoas, o que fará de 2013 o primeiro ano que a marca de 3 bilhões de passageiros será ultrapassada, com alta de 5,3% em relação a 2012. Segundo a Iata, as taxas de ocupação mais elevadas e o aumento das receitas auxiliares responderão pela alta substancial no lucro.

Ontem, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) definiu regras para a cobrança de tarifas de conexão de voos domésticos e internacionais. O preço máximo a ser cobrado será de R$ 7 por passageiro em aeroportos com classificação de primeira categoria. A medida não altera a tarifa de embarque, paga pelo consumidor, e entra em vigor em 45 dias. Aeroportos de segunda categoria terão tarifa máxima de R$ 5,50. Para os de terceira o valor máximo será de R$ 4,50, e nos de quarta, de R$ 3.

CONTROLE NOS NAVIOS
Os navios brasileiros não correm mais o risco de terem sua chegada vetada em portos internacionais por causa do atraso do governo brasileiro em ratificar no Congresso Nacional regras internacionais para controle de emissões de gases de efeito estufa pelas embarcações. A Organização Marítima Internacional (IMO, na sigla em inglês) aceitou que pareceres emitidos por sociedades classificadoras privadas poderão servir para atestar que os navios se adaptaram às exigências que passaram a vigorar em janeiro. l A repórter viajou a convite da Iata

Números

3,2 BILHÕES
é a previsão do fluxo mundial de passageiros na aviação este ano

5,3% DE ALTA
é a variação prevista no trânsito de de pessoas sobre 2012

Recommended Posts

Start typing and press Enter to search