Avião terá combustível limpo só em 20 anos

O Globo
10/06/13 – 22h46

Parceria no Brasil entre Boeing e Embraer estuda alternativa ao uso do querosene
ROBERTA SCRIVANO

SÃO PAULO – A indústria da aviação ainda vai demorar entre 20 e 40 anos para substituir de forma comercial o combustível fóssil. A alternativa ao querosene de avião ainda está em fase laboratorial de desenvolvimento no Brasil e no mundo. Mas poderá ser fabricada a partir de várias matérias-primas. Essas são algumas conclusões da primeira etapa do “Plano de Voo para biocombustíveis de aviação”, divulgado nesta segunda-feira pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em parceria com a Embraer e a Boeing.

O estudo foi iniciado há 18 meses. Nessa primeira etapa, os pesquisadores detectaram que, além da cana-de-açúcar e da soja, resíduos como a lignocelulores (do eucalipto), lixo sólido e gases de exaustão industrial também podem servir de matéria-prima.

— Existe uma possibilidade enorme de fontes. Ainda estamos no estágio laboratorial. Será um processo gradual, a longo prazo, mas o Brasil, por já ter seu segmento de biocombustíveis bem desenvolvido e grande território agricultável, pode ser bastante competitivo quando esse processo ganhar escala — disse Mauro Kern, vice-presidente executivo de Engenharia e Tecnologia da Embraer.

Número de aeronaves vai dobrar até 2031
Para ilustrar o porte do seu setor, Donna Hrinak, presidente da Boeing Brasil, lembrou que circulam atualmente no mundo 20 mil aeronaves e que, até 2031, esse número vai dobrar. De acordo com a Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), o segmento contribui com US$ 3,8 trilhões por ano para a economia global, sustentando emprego de 32 milhões de pessoas.

— Além de termos que produzir aeronaves mais eficientes, também temos que pensar em combustíveis alternativos, como os biocombustíveis — afirmou Donna.

Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor da Fapesp, esclareceu que a motivação primária das pesquisas “é mais ambiental que econômica”:

— Ainda demora anos para ser uma opção viável e vantajosa em comparação com os fósseis. Mas em algum momento vai haver uma competição de custos entre petróleo e biocombustíveis.

O esforço para o desenvolvimento de um novo combustível eficiente ocorre simultaneamente em outros países, como EUA, Austrália e China. Alguns voos experimentais já foram feitos usando misturas de 30% a 50% de combustível alternativo com o fóssil. A Boeing fez em 2011 o primeiro voo intercontinental — da Cidade do México a Madrid — de um modelo 777 usando uma mescla de combustíveis.

— A principal preocupação é integrar as universidade e o setor produtivo. Temos que propiciar essa convergência, mas só depois de o projeto se desenvolver vamos saber como e com quanto podemos participar — disse Celso Lafer, presidente da Fapesp.

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