Contra bloqueio, tripulantes voam de avião de Congonhas a Cumbica

Folha de São Paulo
22/06/2013 – 03h10

DE SÃO PAULO

Com dificuldade para fazer com que seus funcionários chegassem por terra a Guarulhos, as companhias aéreas TAM e Gol mandaram tripulantes para Cumbica em dois voos que partiram do aeroporto de Congonhas. No voo da TAM, foram cerca de 130 funcionários. No da Gol, 50.

Segundo a Infraero, sete voos sofreram atraso por problemas de acesso da tripulação.

O acesso a Cumbica foi prejudicado a partir das 16h30 por um protesto em frente aos terminais 1 e 2 do aeroporto, além de bloqueios nas rodovias Hélio Smidt e Presidente Dutra.

Por volta das 20h, a Polícia Militar chegou a estimar em 8.000 o número de manifestantes no local. Muitos gritavam palavras de ordem contra o prefeito de Guarulhos, Sebastião Almeida, e reclamavam dos gastos com a Copa do Mundo de 2014.

Com o trânsito parado, muitos passageiros com voos marcados para a noite de ontem decidiram abandonar os carros e ir a pé até o aeroporto, arrastando malas e outros pertences pessoais. Para alguns, a caminhada começou já na alça de acesso da rodovia Ayrton Senna, num trajeto de quase nove quilômetros.

Foi o caso do advogado britânico Mark Smith, 39, que vive há quatro anos no Brasil. Com voo marcado para a meia-noite, ele começou a caminhar por volta das 21h e só chegou em Cumbica mais de duas horas depois.

Protesto no aeroporto de Cumbica

fabio braga/folhapress
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Algumas pessoas decidiram abandonar os carros e seguir a pé pela rodovia Hélio Smidt
em direção ao aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (na Grande São Paulo); grupo de
manifestantes parou o aeroporto internacional

“Imagina na Copa!”, disse o britânico, que já adotou o bordão de muitos brasileiros.

Smith disse que a população tem direito de se manifestar, mas se declarou surpreso com o fato de a polícia ter permitido a interrupção do acesso ao aeroporto.

Por volta das 22h, no entanto, quando parte da multidão já tinha ido embora, a Tropa de Choque usou bombas de gás lacrimogêneo para dispersar quem ainda permanecia no local. Alguns responderam com pedradas.

Até então, os policiais faziam apenas um cordão de isolamento para impedir a invasão do aeroporto. Também levavam para uma porta lateral os passageiros que conseguiam chegar ao local.

Do lado de dentro, alto-falantes também informavam os recém-chegados sobre a situação: “Para sua segurança, as portas do aeroporto estão fechadas em razão de protesto nas imediações que impede a entrada e saída de qualquer tipo de transporte”.

Orientados a permanecer no local, muitas pessoas que haviam desembarcado de voos no local aguardavam sentadas e até deitadas pelo chão. Restaurantes também estavam cheios de curiosos de olho nas imagens dos protestos na TV.

O fim da manifestação não significou o fim dos problemas. Por volta das 23h20, a fila para pegar táxi na saída do aeroporto era grande.

Muitos passageiros que haviam perdido o voo também tentavam remarcar suas passagens. No guichê da Gol, cerca de 200 pessoas estavam nessa situação.

Foi o caso do engenheiro Jamil Jacinto, 49, que, junto com a esposa, levou seis horas para chegar até o aeroporto. “Saímos de São Caetano às 17h e alcançamos a alça de acesso da Ayrton Senna às 18h, mas só chegamos no aeroporto às 23h”, reclamou.

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