Latam define bancos para emitir US$ 1 bi

25/06/2013

Por João José Oliveira
De São Paulo

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Empresa diz que câmbio vai levar “possivelmente” direção a ampliar os cortes na
oferta no segundo semestre

O grupo Latam Airlines, associação entre LAN Airlines e TAM Linhas Aéreas que completou um ano de vida no último sábado, definiu os bancos que vão coordenar a oferta de US$ 1 bilhão em ações e recibos, apontou as bolsas em que vai listar os ativos e confirmou a operação para o próximo trimestre.

Segundo a companhia, os três bancos contratados para atuar na oferta são J.P Morgan, IM Trust e BTG Pactual. A companhia vai emitir ações na Bolsa de Santiago e recibos nas bolsas de São Paulo (BDRs) e de Nova York (ADRs).

Os acionistas mantiveram o compromisso de subscrever cerca de 40% da oferta, ficando aproximadamente US$ 600 milhões disponíveis ao mercado. Segundo o comunicado divulgado pela empresa em maio, os recursos serão usados para fortalecer o caixa da companhia e investir na frota.

O analista do UBS, Rodrigo Fernandes, diz que oferta, aprovada em assembleia no dia 11 de junho, era aguardada pelo mercado, mas pondera que esse volume pode ser insuficiente para atender às demandas da líder brasileira no mercado de transporte de passageiros. “Isso não é suficiente para o plano de investimento que a companhia tem e fazer frente ao atual quadro de desempenho do caixa. Essa captação é apenas parte do capital de que a empresa precisa”, diz Fernandes, que calcula em cerca de R$ 300 milhões o montante que a companhia tem tomado trimestralmente do caixa.

Ao final de março deste ano, o grupo registrava US$ 782,7 milhões em disponibilidades, que incluem investimentos de alta liquidez contabilizados como outros ativos financeiros de curto prazo, além de US$ 1,04 bilhão em depósitos com fabricantes de aeronaves (pré-pagamentos), dos quais US$ 667,2 milhões financiados diretamente pela Latam, e mais US$ 208 milhões em linhas de crédito compromissadas com bancos chilenos e internacionais.

O analista do UBS traça um histórico, que começa em 2011, quando o preço internacional do petróleo começou a subir e a corroer margens das empresas aéreas no Brasil. Segundo ele, a TAM, assim como a concorrente Gol, optou por aguardar ao longo do primeiro trimestre de 2012 um eventual recuo dos preços dos combustíveis, o que não se confirmou.

O analista diz que foi então que a TAM partiu de forma mais decidida para um corte na oferta dos assentos disponíveis para preservar margens, mas ainda assim buscando aumento nas taxas de ocupação. A empresa anunciou ao divulgar o balanço do primeiro trimestre deste ano que iria cortar entre 5% e 7% da oferta ao longo de 2013.

Mas a TAM admite que a recente volatilidade e apreciação cambial podem ter impacto nos planos e resultados já no curto prazo. Consultado pelo Valor, o vice-presidente de Finanças e Controladoria TAM, Daniel Levy, afirmou quinta-feira passada que não estavam nas expectativas iniciais da empresa as flutuações do dólar ante o real observadas nesta quinzena.

E ontem a companhia informou por meio da área de comunicação que “com a nova situação de câmbio e o forte impacto que este tem sobre nossos resultados, estamos reavaliando esta redução e possivelmente teremos maiores ajustes durante o segundo semestre”.

A TAM fechou o mês de maio com uma taxa de ocupação de 78,4% ante 64,9% em maio de 2012, e com redução da oferta de 11% na mesma comparação. No balanço trimestral, a margem apurada da receita antes de impostos e juros (margem Ebit) foi 3,4% ante 1,4% no mesmo período de 2012, levando em conta toda a operação do grupo.

“Ainda estamos avaliando no longo prazo os efeitos desta recente variação cambial. Como a nossa demanda é elástica, a questão que se impõe é o aumento da receita por meio da elevação dos níveis de eficiência operacional e de maiores fatores de ocupação dos voos”, disse Levy.

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