Falha em bateria pode ter causado incêndio em Boeing

O Estado de S.Paulo
Sexta-feira, 19 de julho de 2013

Investigação no modelo 787, que estava no pátio do aeroporto de Londres, identificou problemas no equipamento
Fernando Nakagawa /LONDRES

pascal rossignol/reuters14/6/2013
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No céu.
Empresas como a Air India já voam com o 787

A emissora de televisão britânica SkyNews informou ontem que foram descobertos indícios de que o incêndio que atingiu um avião Boeing 787 da companhia aérea Ethiopian Airlines na semana passada pode ter relação com as baterias usadas na aeronave. Horas depois dessa divulgação, outro Boeing 787, da Japan Airlines, que voava para Tóquio, teve de voltar ao Aeroporto Logan, em Boston, por causa de uma suposta falha na bomba de combustível. Os vá- rios incidentes com o modelo desde janeiro reforçam as desconfianças de que pode haver um problema grave no projeto ou na fabricação do avião.

Ao citar o estudo que está sendo liderado pela Unidade de Investigação de Acidentes Aéreos (AAIB, na sigla em inglês) da Inglaterra, a emissora britânica afirma que o incêndio começou em um equipamento de localização usado em casos de emergência e que “há indícios de ruptura de células de uma bateria” relacionada ao aparelho. O jato estava estacionado no aeroporto de Heathrow, em Londres, na sexta-feira passada.

Segundo os investigadores que analisam o avião, o problema pode ter começado na bateria que alimenta os faróis de emergência (os chamados ELT).Oequipamentousariabaterias de lítio-manganês não recarregáveis, material idêntico ao de outras baterias que geraram problemas em aeronaves do mesmo modelo em outras empresas, como a japonesa ANA. Segundo a investigação, pode ter ocorrido superaquecimento ou curto-circuito.

Apesar de apontar a área onde houve o problema, o relatório publicado ontem diz que “não é claro se a combustão foi iniciada pela liberação de energia das baterias ou por algo externo”. O documento também afirma que os reguladores de aviação deverão realizar uma revisão de segurança desses faróis de emergência em todos os tipos de aeronaves. Os pesquisadores disseram que os equipamentos devem ser desligados.

Os faróis de emergência do Boeing Dreamliner são fabricadas pelo conglomerado Honeywell e estão posicionadas na parte traseira superior dos novos jatos. Eles funcionam como um transmissor que envia sinais de emergência para satélites, que então repassam esses sinais ao solo.

A Boeing disse que os faróis poderiam simplesmente ser retirados dos jatos Dreamliner, um trabalho que pode ser feito em uma hora. A AAIB recomendou que a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos garanta que a alimentação foi desligada em todos os sistemas da Honeywell feitos nos Dreamliner. Uma fonte próxima à investigação disse que isso poderia significar remover as pilhas do sistema. Em Washington, a Administração Federal de Aviação dos EUA não fez comentários imediatos sobre o assunto.

Início. Os problemas do modelo Boeing 787 Dreamliner começaram no início de janeiro, quando um avião da japonesa ANA pegou fogo estacionado pátio do aeroporto de Boston, nos Estados Unidos. Outro incidente, mais uma vez com a ANA aconteceu dias depois, quando o cheiro de material queimado levou a tripulação de um voo que usava a mesma aeronave a realizar um pouso de emergência. A norte-americana United Airlines reportou um problema semelhante na mesma época.

O setor aéreo se vê diante de vários questionamentos, mas a demanda pelo avião segue em alta. A Boeing já entregou 68 aeronaves Dreamliner 787 a 13 companhias aéreas e tem 862 pedidos para atender. As empresas que já usam o Dreamliner declararam seu apoio à Boeing. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Alto investimento

862 é o número de pedidos do787
US$ 20 mil é o investimento da Boeing e de suas fornecedoras na aeronave
68 é o número de jatos já entregues

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