Sai o primeiro grande aeroporto privado para a aviação executiva

Valor Econômico
24/07/2013

Por Daniel Rittner | De Brasília

foto24bra-101-dfaero-a4Moreira Franco, ministro da
Aviação Civil, autoriza amanhã
construção de aeroporto

O primeiro grande aeroporto privado para a aviação executiva está prestes a, finalmente, sair do papel. O ministro da Secretaria de Aviação Civil, Wellington Moreira Franco, assinará amanhã portaria que autoriza a construção de um projeto da Harpia Logística, controlada pelos empresários Fernando Botelho e André Skaf, no extremo sul de São Paulo. O investimento, no bairro de Parelheiros, chega a R$ 1 bilhão.

A pista do novo aeroporto terá 1.830 metros – extensão superior à do Santos Dumont e quase do tamanho da pista de Congonhas – e capacidade para até 240 mil pousos e decolagens por ano – são 657 movimentos por dia ou 27 por hora. O empreendimento, a ser construído em uma área total de 3,4 milhões de metros quadrados, terá ainda uma ligação viária com o trecho sul do Rodoanel bancada pela própria Harpia.

De acordo com o projeto enviado ao governo, serão criados 33 lotes destinados à implantação de hangares, com 491 mil metros quadrados de área. Haverá uma ampla infraestrutura no complexo: heliponto, torre de controle, terminal de passageiros, hotel e centro comercial.

A ideia é tornar-se um dos principais pontos da região metropolitana para a aviação geral, que inclui jatinhos, helicópteros e aeronaves menores. Os empresários também pretendem trabalhar com importação, exportação e armazenagem de peças de manutenção. Para isso, querem implantar áreas destinadas a órgãos públicos, como Receita Federal, Polícia Federal e Anvisa.

Em dezembro de 2012, um decreto da presidente Dilma Rousseff autorizou a exploração comercial de aeroportos privados voltados à aviação geral. Até então, nada impedia que eles fossem construídos, mas sem a cobrança de nenhum tipo de tarifa para os voos. Na prática, as operações ficavam limitadas a seus próprios donos. Só quem podia explorar comercialmente aeroportos para a aviação geral era a Infraero, com terminais como o Campo de Marte (São Paulo) e Jacarepaguá (Rio de Janeiro).

Os dois responsáveis pelo empreendimento têm laços familiares de respeito. André Skaf é filho do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, possível candidato do PMDB ao governo de São Paulo em 2014. O sócio dele no projeto é homônimo de Fernando Botelho, ex-vice-presidente do grupo Camargo Corrêa que morreu em um acidente de avião no interior paulista no ano passado. Ele era genro de Sebastião Camargo, fundador do grupo.

O projeto da Harpia é apenas um dos quatro apresentados ao governo depois do decreto presidencial. Outros dois, ambos na região metropolitana de São Paulo, devem ser autorizados ainda neste ano: o Helicidade (no bairro paulistano do Jaguaré) e o Naesp (localizado no município de São Roque). O Naesp é da incorporadora JHSF. Um quarto empreendimento, na Paraíba, está menos adiantado. A Andrade Gutierrez e a Incorpora, uma empresa de Brasília, também pretendem apresentar oficialmente um projeto no Distrito Federal.

Nenhum deles – nem mesmo o da Harpia – ficará pronto antes da Copa do Mundo de 2014. No ano passado, a expectativa do governo era desafogar os grandes aeroportos comerciais, deslocando a demanda dos jatinhos para esses novos empreendimentos, mas o atraso na publicação do decreto complicou os planos.

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