Após prejuízos e redução de oferta, TAM quer cortar até mil funcionários

O Estado de S.Paulo
Quarta-feira, 31 de julho de 2013

Número de assentos ofertados pela TAM em junho de 2013 era 10,7% inferior a um ano antes – com menos aeronaves no ar, empresa quer diminuir quantidade de tripulantes em cerca de 10%; em 2012, prejuízo da aérea, que se uniu à Lan, foi de R$ 1,2 bilhão
Fernando Scheller

A companhia aérea TAM anunciou nesta terça-feira, 30, plano para cortar até mil funcionários. A decisão é reflexo direto dos sucessivos prejuízos e da redução da oferta de voos da empresa no País. A ideia é adequar o número de tripulantes (comissários, copilotos e pilotos) ao tamanho atual da companhia, que pertence à Latam – empresa que surgiu da fusão entre a brasileira TAM e a chilena Lan.

renato cerqueira/futura press
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Funcionários da TAM protestam contra as demissões em Congonhas

A exemplo de outras aéreas, a TAM tem constantemente operado no vermelho – no ano passado, a empresa acumulou perda de R$ 1,2 bilhão. Para cortar custos, a companhia reduziu sua oferta de assentos e, consequentemente, de aeronaves voando. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a oferta da TAM, em junho, era 10,7% inferior à do mesmo mês de 2012. Logo, um menor número de funcionários seria suficiente para a operação atual.

As dificuldades do setor também afetam a Gol, que disputa a liderança do mercado brasileiro com a TAM. No ano passado, a empresa da família Constantino teve prejuízo ainda maior (de R$ 1,5 bilhão). Depois de comprar a Webjet e decidir eliminar a marca, a Gol demitiu 850 aeroviários no fim do ano passado. O Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) conseguiu postergar temporariamente as dispensas na Justiça, mas elas acabaram sendo efetivadas no último mês de março.

O sindicato diz que fará “jogo duro” também com a TAM. “O nosso objetivo é que não ocorra nenhuma demissão”, diz o presidente do SNA, Marcelo Ceriotti. Uma nova reunião entre a TAM e o sindicato está marcada para esta quarta-feira, 31, às 8h30. Será neste encontro que a empresa vai revelar, exatamente, quantos tripulantes serão demitidos. Se o número chegar mesmo a mil, diz Ceriotti, o corte representará mais de 10% do total atual de funcionários da categoria.

A TAM, na realidade, vinha fazendo cortes em sua tripulação desde o início deste ano. De acordo com o sindicato, cerca de 290 funcionários já foram dispensados ao longo de 2013. A companhia justificava que a decisão estaria ligada ao desempenho desses profissionais, e não a uma estratégia de redução de quadros. No entanto, as vagas fechadas não teriam sido repostas.

Além de tentar reduzir o número de demissões, o sindicato também quer que a empresa ofereça condições especiais para os funcionários que quiserem deixar a companhia voluntariamente. “Assim, preservamos as pessoas que querem seguir na profissão”, diz Ceriotti. Ele conta que a maior parte dos 850 aeronautas demitidos pela Gol em março ainda estão desempregados. “É uma profissão especializada, e hoje a situação do setor é, em geral, ruim.”

Do lado das companhias, o quadro ruim do ano passado só fez piorar em 2013. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, as empresas aéreas fizeram a lição de casa, cortando custos, o que se traduziu na menor oferta de voos e também em mudanças operacionais (a Gol, por exemplo, passou a vender lanches em vários de seus voos, em vez de oferecê-los como cortesia).

Efeito câmbio. No entanto, Sanovicz diz que as empresas passaram a ser castigadas por uma nova pressão de custos, relacionada à alta do dólar. Segundo ele, 60% dos custos da companhia aéreas sofrem influência do câmbio, incluindo o principal deles, o querosene de aviação. “No ano passado, tivemos resultados ruins e fizemos uma série de ajustes. Quando este ano começou, nos deparamos com o dólar. Se já estava difícil com o câmbio a R$ 2, a situação piorou muito com o dólar a R$ 2,20.”

Ao mesmo tempo, as previsões de expansão da economia também não se concretizaram. O ano começou com uma expectativa de alta de 4% para o Produto Interno Bruto (PIB) – hoje, as previsões variam de 2% a 2,5%. “O crescimento baixo nos afeta, pois o mercado corporativo representa dois terços do tráfego de passageiros”, diz Sanovicz. “Se há um menor número de eventos corporativos, a quantidade de passageiros cai”, diz. Segundo a Anac, a demanda por voos cresceu 2,8% no País entre janeiro e junho, na comparação com o mesmo período de 2012.

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Expansão menor
“O crescimento baixo (previsto para a economia em 2013) nos afeta, pois o mercado corporativo representa dois terços do tráfego de passageiros.”
Eduardo Sanovicz
PRESIDENTE DA ABEAR

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