Sindicatos prometem parar Congonhas por cortes na TAM

O Estado de S.Paulo
Quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Companhia aérea conseguiu fechar acordo com sindicato nacional, mas grupo dissidente manteve protesto
Mauro Zana / BRASÍLIA
Carla Araújo / SÃO PAULO

daniel teixeira/estadão
13_08_08edsp001a
SP.
Sindicalistas protestaram ontem em Congonhas

O Sindicato Nacional dos Aeronautas (SNA) fechou, ontem, um acordo com a TAM na tentativa de amenizar os efeitos das demissões de 811 pilotos, copilotos e comissários de bordo. Mas a entidade que reúne os aeronautas de São Paulo, grupo dissidente e que mantém uma disputa com o sindicato nacional, discorda dos termos do acordo e decidiu manter o protesto previsto para hoje e que promete parar o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Aeronautas e aeroviários estão programando uma paralisação das atividades a partir das 5 horas da manhã, com o objetivo de a suspensão das demissões.

De acordo com João Pedro Passos de Sousa Leite, presidente do Sindicato dos Aeronautas de São Paulo, mesmo após a reunião com o ministro do Trabalho, Manoel Dias, não houve nenhuma sinalização por parte da empresa de que pretende interromper o PDV. “Esse é apenas o primeiro estágio das demissões”, afirmou, ressaltando que a categoria não consegue encontrar justificativas que expliquem a decisão. “É muito estranho a companhia querer perder espaço para a concorrência justamente às vésperas da Copa do Mundo.” Segundo Leite, o ministro se comprometeu a fazer o que fosse possível para evitar demissões. “Mas como ainda não tivemos nenhuma sinalização, o ato está mantido”, disse o sindicalista.

Acordo. A TAM informou, ontem, em nota, que o “ajuste” incluirá um programa de demissão voluntária (PDV), além de licenças não remuneradas. A decisão busca “garantir a sustentabilidade do negócio”, segundo o comunicado. “A companhia convive com alta significativa dos custos, o que a levou a reduzir a oferta, no acumulado de 2011 até agora, em 12% no mercado doméstico”, afirmou a TAM.

Aprovado em assembleia, o acordo é defendido pelos sindicalistas da entidade nacional.“É um direito legítimo da empresa. Eles tiveram prejuízo de bilhões em dois anos. Torcemos para que o PDV chegue a 811”, disse o presidente do SNA, Marcelo Ceriotti. “Se não chegar a esse número, haverá demissões de acordo com a convenção coletiva, sem benefícios adicionais.”

Os termos do acordo devem ser apresentados hoje, em audiência no Ministério Público do Trabalho, em São Paulo. A TAM informou que o PDV beneficiará apenas tripulantes de aeronaves Airbus. Haverá uma indenização adicional, seis meses de plano de saúde e três passagens aéreas, além de apoio à “transição na carreira”. A licença valerá por 18 meses, prorrogáveis por mais um ano. Nos primeiros seis meses, haverá garantia de plano de saúde. Bilhetes aéreos seguem garantidos.

Recommended Posts

Start typing and press Enter to search