Virgin America reestrutura dívida e mira IPO

Valor Econômico
12/08/2013

Por Justin Bachman | Bloomberg Businessweek

O primeiro voo da Virgin America completou seis anos na quinta-feira, e marcou o início de um paradoxo financeiro para a companhia: os passageiros adoram seu espírito moderno e a qualidade de seu serviço, mas não o suficiente para tornar a empresa aérea lucrativa por mais do que uns poucos meses.

A companhia, parcialmente controlada pelo Virgin Group, de Richard Branson, informou na semana passada ter registrado um raro lucro líquido de US$ 8,8 milhões – apenas o segundo trimestre no azul que conseguiu, em meio a anos de forte crescimento.

Por trás dos lucros está a reestruturação da dívida empreendida pela Virgin America no segundo trimestre deste ano, para reduzir seu endividamento em cerca de US$ 290 milhões. Com a medida, a companhia aérea projeta cortar os gastos trimestrais com juros para cerca de US$ 10 milhões.

O lucro trimestral também reavivou as discussões sobre os planos da empresa de realizar uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês).

Parte do que está contribuindo para elevar os resultados foi o novo serviço, lançado em abril, a partir de Newark, aeroporto que concentra a distribuição de voos da United Airlines, com voos para São Francisco e Los Angeles.

Mas talvez o mais importante para o lucro e para uma potencial venda de ações da companhia seja a decisão da Virgin America de promover uma retração após anos de expansão. A medida inclui o adiamento da aquisição de novos jatos Airbus até o segundo semestre de 2015.

De 2010 a 2012, a companhia aérea duplicou, aproximadamente, o porte de sua frota, alcançando 53 aviões.

Esse intervalo na compra de aeronaves poderá dar fôlego para a Virgin America controlar os custos e extrair crescimento da receita a partir de sua rede já operante. A companhia atende centros comerciais de Nova York, Los Angeles, São Francisco, Seattle, Newark e Washington. Nos últimos doze meses, por exemplo, a companhia notificou a contratação de apenas dez novos funcionários.

“Eles simplesmente se expandiram depressa demais”, afirma Michael Boyd, presidente do conselho de administração da consultoria em aviação BoydGroup International. “O problema deles era um problema de custos, e eles o corrigiram.”

O principal-executivo da Virgin America, David Cush, ex-executivo de vendas da American Airlines, que pertence à AMR, diz há muito que a companhia abrirá o capital. A missão de sua equipe é mostrar que a empresa – que figura entre as mais bem-classificadas do mundo em qualidade do serviço a bordo – consegue traduzir o apreço do consumidor em uma lucratividade sistemática.

Um dos desafios será mostrar para os investidores que é capaz fazer frente a seus concorrentes de maior porte, entre os quais uma American Airlines reestruturada. Além disso, tem de disputar espaço também com a JetBlue, que começará a operar no ano que vem uma cabine premium nos mesmos voos de costa a costa dos Estados Unidos que a Virgin America.

Nesta semana Cush disse ao jornal americano “The Wall Street Journal” que sua empresa não precisa informar “vários anos de lucratividade” para realizar uma oferta inicial de ações bem-sucedida. O consultor Michael Boyd, de sua parte, considera que três a cinco trimestres serão suficientes. “Aí as pessoas vão se acalmar e vão dizer que estão seguras”, acrescentou o analista. “Elas ainda têm muito a ganhar.”

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