Ajuda a aéreas não envolverá BNDES

O Estado de S.Paulo
Quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Mauro Zanatta
João Villaverde / BRASÍLIA

O governo está disposto a avaliar, caso a caso, os problemas das empresas aéreas para evitar novas demissões, estancar o processo de encolhimento das companhias e auxiliar na redução de custos operacionais e trabalhistas. Autoridades federais querem, entretanto, acesso às planilhas e às contas das empresas, sob intensa pressão causada pelo dólar caro.

Na próxima semana, um grupo composto por ministros e dirigentes de agências reguladoras terá uma reunião preliminar para receber as demandas das principais companhias. A força tarefa terá a participação dos ministros Moreira Franco (Aviação Civil), Manoel Dias (Trabalho) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), além do presidente da Agência Nacional da Aviação Civil (Anac), Marcelo Guaranys, e representantes do Tesouro Nacional e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Nos bastidores, admite-se uma negociação sobre a estrutura de custos do querosene de aviação, que pressiona as aéreas.Uma fonte do governo disse ao Estado que “não faz sentido” cobrar das companhias brasileiras um valor em dólar, com base na cotação do Golfo do México. Embora admitam o descompasso no caso do querosene de aviação, as autoridades ouvidas negaram qualquer benefício fiscal ao setor, dizendo que não há mais espaço no orçamento para isso.

BNDES. Os planos de ajuda ao setor excluem também qualquer ajuda do BNDES às empresas. O governo teme que a eventual entrada do banco de fomento na operação poderia manchar ainda mais a imagem da política fiscal, prejudicada após as manobras contábeis que o Ministério da Fazenda fez para o governo cumprir a meta fiscal no ano passado.

A questão trabalhista também preocupa. Na semana passada, o governo iniciou a mediação de um acordo entre aeronautas e a TAM, após o anúncio de 811 demissões. Pressionado por sindicatos, o ministro Manoel Dias apelou à direção da TAM por um recuo nas dispensas. A empresa não mudou a decisão, mas abriu um PDV que garantiria benefícios especiais a uma parte dos tripulantes.

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