Empresas são principais compradores

Valor Econômico
14/08/2013

Por Rosangela Capozoli
Para o Valor, de São Paulo

Cabine para seis ou oito passageiros, autonomia de voo para fazer São Paulo/Manaus sem escala, custo em torno de US$ 10 milhões. Essas são as características básicas do jato executivo preferido dos compradores brasileiros.

Mas há também compradores para modelos menos velozes e mais baratos, capazes de pousar em pistas curtas e de chão batido e que custam até US$ 2 milhões. Além de jatos como o Lineage 1000, o maior da Embraer, com autonomia de 8.149 quilômetros, cabine para até 19 passageiros ou luxos como suíte com cama queen size, chuveiro e sistema de entretenimento e áudio completos. Custo: a partir de US$ 53 milhões.

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“A escolha está aliada à necessidade e condições do proprietário”, diz Sergio Benediti, diretor de vendas da Cirrus Aircraft, empresa americana de capital chinês que exporta aeronaves para mais de 60 países. “Quem costuma viajar entre São Paulo, Nova York ou Londres precisa de um jato executivo diferente daquele que se desloca entre São Paulo, Belo Horizonte ou Brasília. Para quem vai à fazenda, um turbo hélice com autonomia de 500 quilômetros, basta. Junte-se a isso as premissas básicas como custo de aquisição e custo operacional”, diz o diretor. O perfil desse comprador não é o de popstar nem de novo milionário, mas médias e grandes empresas de diferentes setores da economia.

Há outro fator de peso na escolha dos compradores. É uma linha de financiamento do governo federal concedida pelo Finame que beneficia pelo menos duas aeronaves da Embraer, o Phenom 100 e o Phenom 300. Com juros de 5,5%, o financiamento é uma facilidade que concorrentes como o Cessna CJ1 e o Cessna Mustang não oferecem. O modelo 100 custa US$ 4 milhões e já é o mais bem-sucedido avião executivo da empresa. Tem autonomia de 2.282 km e espaço para 4 a 6 passageiros.

O financiamento também é o grande trunfo do Phenom 300, que custa US$ 8,7 milhões e concorre principalmente com o Cessna CJ4 e o Hawker 400XP. O modelo tem autonomia de 3.100 km, suficientes para fazer São Paulo-Manaus, sem escala, e transporta oito passageiros. Segundo a empresa, existem atualmente 12 unidades em operação no país e mais cinco na Força Aérea Brasileira.

“Fala-se muito que avião é brinquedo de milionário, mas o perfil de nossa clientela aponta para o homem de negócios, que usa o avião como ferramenta no aumento de produtividade “, diz Benediti. “Num percentual muito pequeno atendemos clientes que desejam ter uma aeronave exclusivamente para passear”.

Para Cassio Poli, diretor da Aerie Aviação Executiva, que comercializa diferentes modelos, novos e usados, “o avião executivo é uma ferramenta espetacular para multiplicar tempo”. “Cerca de 95% dos nossos clientes usam o avião para negócios”, diz Poli.

Da frota estimada de 750 jatos executivos registrada no Brasil, diversos modelos estão entre os preferidos e mais vendidos. Entre o menor jato, o entry level, para quatro passageiros, até o large size, que pode transportar 19 pessoas, existem oito categorias de aeronaves executivas. “Os modelos preferidos dos brasileiros são jatos de pequeno e médio porte”, diz Leonardo Fiuza, diretor comercial da TAM Aviação Executiva. A TAM tem a exclusividade de venda de todos os modelos da Cessna e os helicópteros da Bell Helicopter. Segundo Fiuza, 48% da frota de jatos executivos no Brasil são Cessna.

De acordo com o diretor da TAM, entre os mais vendidos dos jatos pequenos e médios está o Cessna X25, que concorre com o modelo Learjet 45XR, da Bombardier, entre outros. Nessa categoria, o mais vendido da Embraer é o Phenon 100.

Da fabricante Cessna, o Citation XLS é o mais vendido em todos os tempos e o Brasil tem a maior frota desse modelo fora dos EUA. Com capacidade para dois pilotos e até nove passageiros, ele pode decolar e pousar em pistas curtas e voar de São Paulo a qualquer capital do país sem escalas. O preço básico é US$ 12,750 milhões. De acordo com a Bombardier, 60% das encomendas brasileiras são da família Learjet, de aviões pequenos e médios. Dentro desse grupo, o Learjet 45 XR é o mais vendido. Tem autonomia para 3.700 quilômetros km e custa US$ 12 milhões.

Carlos Petiz, assistente de vendas internacionais da Dassault Falcon no Brasil, diz que entre os 12 primeiros nomes de milionários brasileiros divulgados pela Forbes, oito são clientes da companhia francesa. O modelo Falcon 7X é o maior sucesso de vendas da empresa no Brasil. Tem autonomia para 11.000 km sem escala, transporta até 19 passageiros – embora configurado para 12 -e preço de US$ 50 milhões. Seus principais concorrentes são o Gulfstream G550 e o Bombardier Global XRS. Há três décadas vendendo jatos no Brasil, a francesa possui 30 aviões em operação no país.

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