Gol tem prejuízo de R$ 508 milhões no semestre e deve aumentar preços

O Estado de S.Paulo
Quarta-feira, 14 de agosto de 2013


Com cortes de voos e demissões, companhia aérea conseguiu reduzir em 32% o prejuízo nos seis primeiros meses do ano; para melhorar a rentabilidade até o fim do ano, presidente da Gol, Paulo Kakinoff aposta na estratégia de elevar preço das passagens
Luciana Collet
Wladimir D’Andrade

A Gol, segunda maior empresa aérea brasileira em participação de mercado, conseguiu reduzir seu prejuízo no segundo trimestre deste ano para R$ 433 milhões – cifra quase 40% inferior à do mesmo período do ano passado. O resultado foi beneficiado pela venda antecipada de passagens para a empresa de milhagens Smiles, que em abril levantou R$1,3 bilhão com uma oferta pública inicial de ações (IPO), pelo aumento de preços dos bilhetes aéreos e pela redução de custos após cortes de voos e demissões de funcionários.

No acumulado do ano, o prejuízo líquido recuou 32,8%, passando para uma perda de R$ 508,2 milhões, frente a prejuízo de R$ 756,5 milhões no primeiro semestre de 2012. Para melhorar os números nos próximos meses, a Gol deve aumentar o preço das passagens em vez de aumentar a taxa de ocupação.

O resultado negativo do último trimestre foi 30% maior do que o estimado por analistas que acompanham a empresa,segundo a média das projeções de quatro casas consultadas pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. Os profissionais previam um resultado negativo de R$ 334,2 milhões. Os outros números, no entanto, ficaram em linha com as projeções. “A Gol teve resultados operacionais melhores que o esperado, com forte recuperação na lucratividade (na comparação anual)”, disseram, em relatório, os analistas do BTG Pactual.

A receita líquida da empresa totalizou R$ 1,9 bilhão no trimestre,alta de 4,6% na comparação com o ano anterior, que a companhia atribuiu ao aumento de 13% no yield (o valor médio pago por passageiro por quilômetro voado).

A variação cambial foi o principal fator que levou a Gol a registrar prejuízo no segundo trimestre, disse o presidente da companhia Paulo Sérgio Kakinoff. Segundo ele, a variação cambial gerou um impacto de R$ 333 milhões no período, o que representou 77% do prejuízo. Ele lembrou que quase 60% dos custos da companhia são dolarizados, incluindo combustível e arrendamento das aeronaves.

Kakinoff também salientou que a desvalorização do real, junto com o aumento do preço do petróleo, levará o querosene de aviação a um novo recorde. O insumo representa 43% dos custos da companhia. De acordo com ele, em setembro, o preço do querosene deve chegar próximo a R$ 2,70 por litro na média no Brasil.

Segundo Kakinoff, a Gol está preparada para enfrentar o cenário desafiador dos próximos meses.“O novo patamar de custo traz um desafio maior para receita, e temos que ter clareza e mostrar que vamos chegar lá”, disse, reiterando a estratégia da aérea de buscar aumento de receitas por meio de preços, em detrimento de taxas de ocupação mais elevadas.

Reestruturação. Durante teleconferência com analistas, a presidente da Gol também garantiu que o plano de reestruturação da companhia atingiu a “estabilidade”enãoháprevisão de novos cortes de demanda neste momento. “Acreditamos que a atual estrutura é adequada para tamanho do mercado e nosso planejamento de longo prazo”, afirmou, salientando que tal estabilidade está condicionada à confirmação das projeções de demanda.

Kakinoff reforçou que o foco da companhia é aprimorar a eficiência operacional e melhorar as margens operacionais, principalmente por meio da identificação de novas oportunidades de otimização de custos. / COM REUTERS

PARA ENTENDER
O setor aéreo, que geralmente cresce acima do Produto Interno Bruto (PIB), vem enfrentando problemas cada vez maiores por causa da alta do dólar, que fez o gasto das empresas com querosene de aviação subir 47,5% em 12 meses. Para economizar, as empresas aéreas começaram a reduzir voos. Foi criado um paradoxo: mesmo com a circulação de passageiros nos aeroportos aumentando ano a ano, o volume de voos diminuiu. Com voos mais caros e horários mais difíceis, a classe média tem viajado mais de ônibus.

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