Táxi aéreo ameniza problemas de agenda

Valor Econômico
14/08/2013

Por Suzana Liskauskas
Para o Valor, do Rio

O engenheiro Paulo Figueiredo costuma passar mais tempo em aviões do que em seu escritório, no Rio de Janeiro. Com mais de 30 anos de experiência nos mercados financeiro, imobiliário e empresarial, em diversos países, ele é atualmente CEO da Polaris, empresa especializada em identificar oportunidades no mercado imobiliário com potencial para se transformar em negócios efetivamente produtivos em segmentos como a indústria hoteleira. À frente de uma empresa que também tem escritórios em outras cidades do Brasil e nos EUA, Figueiredo não pode correr riscos de perder um bom negócio por atraso em aeroportos. Esse perfil o transformou em passageiro frequente da aviação executiva. Tão frequente que ele já organizou reunião em um jato, por haver dificuldades de agenda, dele e do cliente.

“Meu dia a dia é muito dinâmico, e quando surgem as oportunidades de concluir um contrato, muitas vezes não consigo tempo hábil para embarcar em voo regular. Então, o táxi aéreo torna-se uma opção”, conta Figueiredo.

As vantagens da aviação executiva, porém, extrapolam a questão da urgência, tão necessária para o ambiente corporativo. O CEO da Polaris explica que um voo fretado muitas vezes é mais econômico para a empresa do que a compra de bilhetes em companhias aéreas. “Faço muita reunião em Brasília e São Paulo. Se eu preciso comprar uma passagem com pouca antecedência da data do voo, corro o risco de pagar mais caro por um bilhete Rio-São Paulo do que uma passagem aérea entre Rio de Janeiro e Miami, por exemplo”.

A agilidade no deslocamento para localidades que estão fora da rota das companhias aéreas convencionais é outro fator que define a opção das corporações pelo uso de jatos. Luiz Silva, diretor executivo da Bluesky Flight Safety Services, especializada em soluções de segurança operacional para o segmento de aviação no Brasil, observa que o Brasil tem 5.561 municípios (dados do IBGE), mas a aviação regular comercial alcança 122 localidades.

“Em um país com extensa dimensão geográfica como o Brasil, companhias que têm atividades em localidades mais distantes das capitais ou das principais cidades de uma região precisam ter mobilidade para o deslocamento. Muitas vezes, o executivo não tem tempo disponível para pegar um voo comercial e ainda percorrer um trajeto de carro. Neste cenário, o uso de jatos, de propriedade da empresa ou alugados, é uma alternativa, e geralmente geram economia para a corporação”, comenta Silva.

Ainda segundo o consultor, o Brasil conta com mais de cinco mil aeródromos. De acordo com o Código Brasileiro de Aeronáutica (Lei 7.565, de 19 de dezembro de 1986), o aeródromo é toda área destinada a pouso, decolagem e movimentação de aeronaves, podendo ser públicos ou privados. Silva ressalta que são clientes frequentes de táxis aéreos empresas ligadas a ramos como celulose, área médica e óleo e gás.

“A demanda por jatos para uso médico tem crescido muito, sobretudo, em regiões como Norte, onde os acessos por rodovias são mais complexos. Quem tem recursos não economiza para salvar uma vida. Já no ambiente de negócios, o executivo não pode fica sujeito a atrasos e overbooking, correndo o risco de gerar um prejuízo para seu negócio”, detalha Silva.

Além de ganhar a corrida contra o relógio, a utilização de jatos incorpora ao cotidiano das companhias um outro ativo, a privacidade. Sem poder desperdiçar segundos, os executivos costumam aproveitar horas de voo para preparar documentos e colocar a leitura corporativa em dia. Porém, em um voo regular, a falta de privacidade pode transformar as horas entre a decolagem e o momento da aterrissagem em momentos improdutivos.

Paulo Figueiredo diz que, em voo de jato, consegue revisar materiais confidenciais e atualizar pautas com os demais diretores. “Transformo o voo em uma hora de trabalho como se eu estivesse no meu escritório ou em uma reunião com o cliente. Outra grande vantagem é conseguir um período para trocar ideias com os demais diretores sem interrupção de celulares e outras intervenções, que acabam roubando nosso tempo no dia a dia”, afirma.

A praticidade do táxi aéreo já resolveu problemas relacionados à incompatibilidade de agenda do executivo. Figueiredo conta que uma vez convidou uma pessoa com a qual precisava se reunir para voar com ele. “Foi ótimo. Fizemos a reunião, segui para meu destino e ele retornou ao ponto de partida, no avião”.

O desenvolvimento da aviação está diretamente relacionado à expansão da economia do país. Luiz Silva afirma que o setor é um termômetro para a economia. Rogério Montalvão, diretor-superintendente da Algar Aviation, empresa do grupo Algar que atua desde 1976 no Brasil com soluções para a aviação executiva, desde a venda de aeronaves, passando pela manutenção, até o fretamento de aeronaves, também reforça que o setor sofre com as flutuações cambiais, porém observa que aviação executiva cresceu nos últimos cinco anos no Brasil.

“Este setor é muito sensível a qualquer crise. Isso influencia na quantidade de voos e na demanda por equipamentos. Qualquer alteração econômica reflete na aviação executiva. O setor de táxi aéreo hoje está sofrendo uma desaceleração, em virtude de ter crescido a frota própria das empresas que costumam usar o serviço e por ser uma atividade com demanda irregular. No entanto, há um crescimento impulsionado, principalmente, pelo setor de agronegócios”, explica Montalvão.

O diretor-superintendente da Algar Aviation diz que o desenvolvimento do agronegócio no Brasil favoreceu a prestação de serviço de táxi aéreo. Segundo Montalvão, os clientes responsáveis pelo maior volume de pedidos de voos estão na região Centro-Oeste, na Bahia, no Maranhão, no Piauí e no Tocantins.

Apesar do potencial de expansão, Montalvão diz que a burocracia ainda impacta a muito no setor. “Nossa percepção é que a infraestrutura do país não acompanha a expansão do negócio”.

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