Gol não terá lucro líquido neste ano, diz vice-presidente

Valor Econômico
15/08/2013

Por Guilherme Serodio | Do Rio

A Gol não terá lucro líquido em 2013. A afirmação foi feita ao Valor pelo vice-presidente financeiro e de relações com investidores da companhia, Edmar Lopes. Segundo ele, embora a empresa espere margens operacionais positivas ainda este ano, a possibilidade de lucro nas contas da Gol não será possível antes de 2014 devido à desvalorização do real frente ao dólar.

“Com essa mexida do câmbio, é impossível [um resultado positivo]”, disse Lopes, após reunião da Apimec no Rio.

“Não há mais bala de prata. Fizemos as grandes medidas [de ajuste dos custos] desde o ano passado”, disse o executivo, para quem a prioridade da Gol para alcançar números melhores em 2013 continuará sendo a busca por eficiência no uso do combustível – maior insumo do setor – e a melhoria de processos como um todo. Lopes aposta que a companhia pode melhorar a eficiência, voltando a crescer no cenário atual sem aumentar o número de funcionários.

O caixa acumulado de R$ 2,8 bilhões, o maior da história da companhia, deve ser preservado. De acordo com o executivo, os recursos serão mantidos para dar segurança à empresa, que prevê que o cenário para o setor deve piorar nos próximos meses, puxado pela alta do combustível. A Gol estima que o querosene de aviação bata em setembro o recorde histórico de R$ 2,70 o litro.

“Com esse caixa, a gente volta a um nível de conforto muito grande que poucas empresas [no setor] têm”, disse. O executivo afirmou ainda que a subsidiária aberta em Luxemburgo, Gol LuxCo S.A., anunciada nesta semana, foi criada como um canal para captação de recursos no exterior.

Ainda que preveja um cenário pessimista, a Gol considera-se segura para enfrentar a turbulência. A empresa mantém muitos ativos de que poderia dispor em um ambiente mais nebuloso que o atual, frisou o executivo.

“O Smiles é um desses ativos. Mas temos também aeronaves em leasing” disse. Com o IPO da Smiles, em abril, a empresa reforçou seu caixa em R$ 1,9 bilhões.

A companhia, que tem 62% de sua dívida em dólares, sofre com a alta da moeda estrangeira. Só o câmbio representou mais de R$ 200 milhões em acréscimo de dívida no segundo trimestre, conforme o balanço divulgado na terça-feira.

“O cenário de dólar a R$ 2,30 não estava na visão da companhia um ano atrás, quando começamos a mudar o tamanho da companhia”, disse Lopes. “O ponto importante é que chegamos bem preparados a um cenário ainda mais desafiador. Hoje a companhia é cada vez mais ágil e flexível”, disse Lopes.

De acordo com ele, a tarifa média da Gol para uma passagem de 1 mil quilômetros é de R$ 250. “Estamos enfrentando um aumento da base de nosso principal custo de mais de 50% em dois anos”, disse, sobre o combustível. “Quando você vê o aumento do nossos principal insumo nessa taxa, você percebe o que acontece com a margem de lucro”, disse. Ainda assim, a Gol mantém sua projeção financeira de margem operacional entre 1% e 3% para o ano de 2013.

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