Sem fusão, American e US Air buscam saída

Valor Econômico
20/08/2013

Por Susan Carey | The Wall Street Journal

Se tudo tivesse ocorrido como programado, os executivos e advogados da AMR, a controladora da American Airlines, e da US Airways teriam passado a noite de quinta-feira comemorando a aprovação de um juiz ao plano da American para sair da concordata: uma fusão com a US Airways.

Mas, em vez disso, as duas empresas americanas se veem diante de um obstáculo que pode fazer o acordo ir por água baixo, uma troca de ações que criaria a maior companhia aérea do mundo em tráfego. A Justiça dos Estados Unidos entrou com uma ação na semana passada para bloquear a fusão, alegando que ela prejudica a concorrência.

A intervenção inesperada do governo coloca as duas empresas numa posição difícil, já que elas continuam com os planos (iniciados depois do anúncio do acordo, em fevereiro) de integração que levaria anos.

Alguns executivos da US Airways Group Inc. já se mudaram para a região de Dallas, onde a empresa combinada seria sediada. Agora, executivos de ambos os lados que esperavam deixar suas companhias terão de decidir se ficam para ajudar a gerenciá-las durante o litígio – na esperança de receber os pacotes de demissão a que teriam direito se a fusão se concretizasse – ou procuram outro emprego, disseram pessoas a par da situação. Um advogado da US Airways previu na semana passada que o julgamento da ação vai acontecer antes do fim do ano.

O diretor-presidente da US Airways, escolhido também para liderar a nova American Airlines Group Inc., disse a seus empregados que espera que as empresas sejam bem-sucedidas no julgamento e que possam fechar o negócio ainda este ano. Numa rota alternativa, as companhias aéreas podem ainda tentar fazer um acordo judicial que resolva os problemas levantados pelo Departamento de Justiça.

O acordo de fusão vai expirar em meados de dezembro se não tiver sido aprovado pelos reguladores até lá, se o governo proibir o negócio ou se uma das partes desistir dele, segundo as cláusulas do documento. Pessoas a par da situação disseram que as duas empresas poderiam, de comum acordo, prorrogar a data de vencimento. Mas se uma delas não quiser prosseguir, o plano de fusão vai naufragar.

A AMR Corp., que passou parte de 2012 resistindo à fusão, não poderia ser flexível na defesa da transação, disseram essas pessoas. A empresa tem obrigação contratual e fiduciária de lutar pelo acordo porque seu conselho e credores o aprovaram.

Um comitê que representa os credores da AMR – convencidos de que a fusão é para eles uma opção financeira melhor do que a AMR emergir da concordata sozinha – deve continuar pressionando a empresa a brigar pelo acordo, segundo uma pessoa a par do assunto. E os sindicatos, que também foram veementes no seu apoio à fusão por causa das melhores condições trabalhistas resultantes, são mais um fator a ser considerado. A Associação dos Pilotos Aliados, que representa 8.000 pilotos americanos, prometeu “empregar uma vasta gama de táticas” para mostrar seu apoio à fusão ao público, políticos e promotores que se opõem ao negócio, disse Keith Wilson, o presidente do sindicato.

Enquanto isso, Parker e Tom Horton, o diretor-presidente da AMR, têm que considerar um futuro em que suas respectivas companhias continuariam independentes. Com poucas outras opções de fusão disponíveis num setor cada vez mais consolidado, nenhum deles teria uma maneira rápida de se fortalecer para competir com as gigantes United Continental Holdings Inc. e Delta Air Lines Inc., ambas originárias de fusões recentes.

As empresas aéreas haviam se mostrado confiantes de que obteriam a aprovação dos reguladores e esperavam fechar o negócio em 30 de agosto. Uma pessoa a par do assunto disse que elas ficaram “chocadas” com a decisão do Departamento de Justiça.

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