LAN consegue liminar e mantém operação na Argentina

O Estado de S.Paulo
Quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Marina Guimarães
CORRESPONDENTE/BUENOS AIRES

A Justiça argentina concedeu liminar em favor da companhia aérea LAN, subsidiária do grupo chileno Latam, solicitando a suspensão do despejo do hangar que ocupa no aeroporto metropolitano Jorge Newberry, também conhecido como Aeroparque. O despejo havia sido determinado pelo Organismo Regulador do Sistema Nacional de Aeroportos (Orsna), no último dia 20.

A limitar vai permitir à LAN permanecer com sua base de manutenção das 12 aeronaves que realizam voos diáriosem14 trechos. A companhia havia informado que, sem o hangar, seria obrigada a interromper suas operações no país.

O recurso foi apresentado pela LAN na segunda-feira. Os sindicatos de aeronautas anunciaram uma greve em todas as companhias que operam no país para hoje, caso o despejo fosse concretizado. A decisão da Justiça foi tomada um dia antes de expirar o prazo de dez dias que o governo havia dado à companhia para desalojar o hangar. A juíza Claudia Rodríguez Vidal solicitou ao governo informações sobre o caso dentro dos próximos cinco dias.

A LAN tem um contrato de uso do hangar até 2023, mas o governo alega que a ruptura unilateral está prevista em caso de necessidade do Estado. Ontem, um vídeo mostrou que o presidente da principal concorrente da LAN, a estatal Aerolíneas Argentinas, Mariano Recalde, reconheceu em público que havia pedido à presidente Cristina Kirchner para tirar voos da LAN coma finalidade de melhoraras margens de lucro da estatal.

O vídeo, gravado em abril de 2010, mostra Recalde em um discurso com militantes do grupo kirchnerista Oesterheld no qual ele atribui adjetivos ofensivos a políticos da oposição e relata os pedidos feitos à presidente para melhorar rentabilidade da empresa.

Sem o hangar, a LAN alega que não poderá mais operar voos domésticos. Desde dezembro, a empresa vem sofrendo uma série de boicotes de organismos estatais. No vídeo, Recalde disse que a Aerolíneas Argentinas tem dificuldade em enfrentar a concorrência da LAN e de empresas brasileiras.

Ele mencionou ainda a compra dos 20 aviões da Embraer para renovar a frota, com “financiamento do Brasil a taxa de juros de 7,3% anuais em 15 anos – um empréstimo esplêndido”.

Recalde aproveitou para criticar o “poder da mídia, que transformou o contrato em escândalo envolvendo Ricardo Jaime”, ex-secretário de Transportes, que responde processo por suspeitas de enriquecimento ilícito na negociação do contrato entre a Argentina e a Embraer, com recursos do BNDES.

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