Argentina pede cabotagem no Brasil

Valor Econômico
30/08/2013

Por César Felício | De Buenos Aires

foto30emp-201-lan-b5Randazzo, ministro da Argentina:
“Solicitamos a colaboração da Latam”

O ministro do Interior e Transportes da Argentina, Florencio Randazzo, afirmou ontem que o governo argentino quer que a estatal Aerolíneas Argentinas possa realizar voos domésticos (de cabotagem) no Brasil e no Chile, a título de “direito de reciprocidade”. A LAN Argentina faz voos domésticos no mercado argentino.

A LAN Argentina pertence ao grupo chileno Latam, controlador da brasileira TAM. Como o grupo tem capitais chileno e brasileiro, o governo argentino alega que tem direito a reciprocidade nesses dois países.

O governo argentino tenta despejar a LAN de um hangar no aeroporto Jorge Newbery, em Buenos Aires, conhecido como aeroparque. A medida, suspensa por ordem judicial, irá inviabilizar a operação de cabotagem no país, segundo a direção da Latam. Ontem, o presidente da LAN Airlines, Ignacio Cueto, reuniu-se com o vice-ministro de Economia da Argentina, Axel Kicillof, em Buenos Aires.

“Solicitamos a colaboração da Latam para que no Chile e no Brasil a Aerolíneas possa operar voos de cabotagem e tenha espaço em hangares. É o direito de reciprocidade, presente em todos os países do mundo”, disse Randazzo.

O ministro afirmou que ficou surpreendido com a argumentação da empresa de que a falta de um hangar poderá levar a suspensão de voos. Cueto não participou da entrevista concedida ontem por Randazzo e Kicillof.

“A empresa nunca havia comunicado de que havia um problema. A resolução que determinava a desocupação do hangar é de novembro. Pedimos um informe técnico em que se demonstre isso”, disse Randazzo.

De acordo com Kicillof, a ideia é que “a Latam nos ajude a negociar a abertura dos mercados do Chile e do Brasil junto aos governos destes países. Isso não seria nada mal para a Aerolíneas, é um bom negócio, como o que a LAN tem na Argentina”, disse.

Segundo Kicillof, “se nós reconhecemos o direito da LAN ter um hangar, é importante que os países de origem da empresa também nos reconheçam o mesmo direito”. Segundo Randazzo, a invocação do direito de reciprocidade será feito “aos órgãos regulares de aeroportos dos dois países”.

A LAN ganhou licença para fazer voos domésticos na Argentina ao comprar companhias aéreas argentinas em 2004, época em que a Aerolíneas ainda era controlada pela espanhola Marsans. Hoje a LAN conta com apenas 18% do mercado argentino.

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