Diante da alta do dólar, TAM e Gol planejam subir preço de bilhetes

O Globo
Sexta-feira 6.9.2013

Empresas só esperam que a cotação da moeda americana estabilize
LINO RODRIGUES
lino.rodrigues@oglobo.com.br

fabiano rocha/12-8-2009
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Planos de aumento. Gol e TAM têm 60% de seus custos cotados
na moeda americana


-SÃO PAULO- As duas maiores companhias aéreas brasileiras (TAM e Gol) admitiram ontem que a alta do dólar vai acabar chegando aos preços de suas passagens. Com mais de 60% dos seus custos afetados pela valorização da moeda americana, as empresas estão esperando uma acomodação da cotação para fixar o percentual de reajuste nos bilhetes. Na Gol, segundo Eduardo Bernardes, diretor comercial, as tarifas serão reajustadas, mas o percentual dependerá do valor que se dará quando houver acomodação do valor do dólar.

Apesar de a Gol ter reduzido em 7,5% sua oferta de voos, devolvido aeronaves e feito ajustes no quadro de pessoal (850 funcionários da WebJet que a Justiça mandou reintegrar), a escalada do câmbio tem afetado fortemente os custos da companhia, em especial os gastos com combustível. Até o fim do ano, a meta da Gol é enxugar a malha em 9%.

— Nesse momento, ainda não vamos fazer reajuste (nas tarifas). Estamos aguardando uma diminuição na volatilidade do mercado para ver em que patamar esse dólar vai se estabilizar, e tomar uma decisão corretamente. Quanto a esse corte (de 9% na oferta), já está no nosso sistema — disse Bernardes, lembrando que a redução na oferta de assentos atingiu mais fortemente os voos para o Nordeste.

Mais cauteloso, o diretor de vendas da TAM, Klaus Kühnast, afirmou que a companhia tem trabalhado para aumentar sua eficiência e, assim, evitar mexer nas tarifas. Segundo ele, a redução da oferta de voos, entre 8% e 10% nos primeiros seis meses do ano, teria gerado ganhos suficientes para conter a alta das passagens até agora. Mas o atual patamar do dólar “é um fator preocupante”, reconheceu o executivo.

DE OLHO NA COPA

A TAM também acaba de realizar um corte de mais 800 postos de trabalho, entre pilotos e tripulantes, e enfrenta uma retração de demanda da ordem de 12% desde o ano passado. — Com uma oferta menor e um custo maior, estamos trabalhando para ganhar mais eficiência nos nossos voos, e focados na melhoria de nossas receitas. É claro que o dólar é um fator preocupante. Nosso desejo é que pare com essa volatilidade — frisou Kühnast.

As duas companhias aéreas assinaram ontem um acordo com o grupo Águia, um dos maiores operadores de turismo especializado do país, para o lançamento do Passe Brasil, uma espécie de reserva de assentos em seus voos para os clientes dos camarotes corporativos, ou hospitality, no termo em inglês, que vão assistir aos jogos da Copa do Mundo aqui no ano quem vem. Segundo Paulo Castello Branco, presidente do Águia, a empresa detém os direitos de comercialização dos camarotes para um público de cerca de 300 mil pessoas, ou cerca de 15% do total de torcedores que estarão nos jogos durante os 30 dias da Copa. Até agora, 62% dos bilhetes do camarote hospitality já foram vendidos.

Para as empresas aéreas, segundo Bernardes, da Gol, o acordo facilita a operação e ajudará a preparar a malha aérea para a Copa. Mas lembra que tanto a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) como a Secretaria de Aviação Civil (SAC) precisam aprovar o plano de flexibilização da malha aérea e de slots nos aeroportos para atender a demanda dos jogos. ●

“Estamos aguardando uma diminuição na volatilidade do mercado para ver em que patamar esse dólar vai se estabilizar, e tomar uma decisão”
Eduardo Bernardes
Diretor comercial da Gol

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