São Carlos quer internacionalização de aeroporto para estimular indústria

G1
04/09/2013 11h33


Empresários e Prefeitura visam ampliação para receber aviões cargueiros.
TAM deve investir R$ 50 milhões em hangar para reparo de aeronaves.

Do G1 São Carlos e Araraquara

aeroporto
Prefeitura de São Carlos busca internacionalização de aeroporto
(Foto: Reprodução/EPTV)


Empresários de São Carlos (SP) e a Prefeitura querem a internacionalização do aeroporto da cidade com o objetivo de estimular o crescimento da indústria na região. A TAM, por exemplo, investiria R$ 50 milhões em um hangar para manutenção de aviões de outros países. Apesar disso, a Receita Federal afirma que o volume de cargas não justifica essa mudança.

Atualmente, a TAM tem um hangar onde consegue dar manutenção em até 10 aeronaves ao mesmo tempo. Por enquanto, são apenas aviões nacionais, mas a empresa pretende ampliar a capacidade, já que uma companhia aérea do Chile tem interesse em trazer as unidades para manutenção em São Carlos.

“Com a internacionalização, nós imaginamos que seja possível aumentar em cinco linhas, ou seja, de 10 manutenções simultâneas para 15 com novos hangares. Nós estamos falando em aumentar de 1,4 mil para dois mil funcionários em São Carlos”, afirmou o diretor sênior da Unidade de Negócios MRO, Luiz Gustavo Pereira da Silva.

hangar
TAM quer novo hangar para manutenção de
aeronaves na cidade
(Foto: Reprodução/EPTV)

O projeto de engenharia para a construção de outro hangar já está pronto. O investimento é de R$ 50 milhões, mas, para isso, o aeroporto da cidade precisa ser internacionalizado.
Para fazer manutenção, os aviões que vêm do exterior precisam passar por um processo de admissão temporária em um aeroporto internacional. Atualmente, as alternativas são os aeroportos de Guarulhos, Campinas e Galeão no Rio de Janeiro. O procedimento pode demorar de dois a três dias e só depois eles seguem para a oficina que fica no aeroporto de São Carlos.

Depois da manutenção, as aeronaves têm que voltar a um aeroporto internacional e fazer todo o processo novamente, o que representa mais demora, de dois a quatro dias. Só então podem voltar ao país de origem.

O diretor do centro de manutenção explicou que manter uma aeronave parada por vários dias representa prejuízo. Se o aeroporto de São Carlos fosse internacional, os aviões de fora poderiam pousar, o que agilizaria o processo. “Levando em conta que o custo da diária de um avião parado é de 30 mil, 40 mil dólares, nós estamos falando em 200 mil dólares de custo que o operador do avião tem”, afirmou Silva.

Ampliação
De acordo com a Prefeitura, a pista tem um metro de espessura e está preparada para receber os aviões estrangeiros. “Viracopos e Garulhos têm um custo mais caro que São Carlos, além do custo de transporte. Se nós tivermos a oferta do serviço em São Carlos, isso vai tornar as nossas indústrias mais competitivas. O governo do estado precisaria ampliar a pista de 500 a 800 metros para a descida dos aviões cargueiros. Mas o importante é o entreposto alfandegado e a Receita Federal instalarem um posto em São Carlos”, afirmou o prefeito de São Carlos, Paulo Altomani.

receitaReceita Federal é contra internacionalização do
aeroporto de São Carlos
(Foto: Reprodução/EPTV)

A Receita Federal enviou para o Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp), um estudo técnico contrário à internacionalização. O volume de cargas da região não justificaria essa mudança no aeroporto de São Carlos.

“A região, que é composta de 22 cidades, é essencialmente exportadora e utiliza o transporte terrestre e marítimo para escoamento da produção. O volume do transporte aéreo corresponde a 2% e ela usa os aeroportos de Garulhos e Viracopos. Esses dados não justificariam a instalação de qualquer aeroporto oficial na região, ser alfandegado”, afirmou o chefe de fiscalização aduaneira Receita Federal, Wellington Tonello.

Para o diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Ubiraci Corrêa, transformar o aeroporto de São Carlos em internacional é um incentivo para que as exportações da região, feitas por via marítima, sejam transportadas por aviões. “Com a internacionalização, algumas cargas de importação e exportação das empresas de São Carlos e região teriam um tratamento mais rápido e ficariam mais baratas para chegar ao seu destino final”, afirmou.

O Daesp informou que diante da resposta negativa da Receita Federal, o processo de internacionalização do aeroporto foi interrompido junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A Prefeitura de São Carlos informou que continua discutindo o assunto junto ao Daesp para tentar reverter a situação.

Recommended Posts

Start typing and press Enter to search