Para TAP, está faltando dinheiro no mercado

Valor Econômico
10/09/2013

Por João José Oliveira | De São Paulo

A privatização da estatal portuguesa TAP é necessária porque a companhia aérea não tem como resolver a estrutura de capital sem injeção de recursos novos, mesmo que venha operando com resultado líquido positivo em sete dos últimos oito balanços anuais, apontou o vice-presidente da empresa, Luiz da Gama Mór, que participou da 41ª feira do turismo das Américas, em São Paulo, que se encerrou domingo.

“Não tem como resolver a estrutura de capital sem injeção de capital, e o Estado não tem”, afirmou o executivo. “Temos uma estrutura de capital frágil.”

Em 2012, o governo português incluiu a estatal aérea no programa de privatização, no contexto de ajustes orçamentários para receber recursos da União Europeia e atravessar a crise econômica que abalou a economia e as finanças do país. Mas o processo foi encerrado em dezembro passado, quando o único interessado, o empresário Germán Efromovich, teve a oferta negada por falta de garantias bancárias, segundo a versão oficial do governo luso. “Portugal valoriza muito a empresa, o que é bom. Por isso, não vai vender a qualquer preço”, disse Gama Mór.

Em declaração dada semana passada, o ministro da Economia, António Pires de Lima, disse que só faz sentido avançar na privatização da TAP quando o governo estiver totalmente convencido que a operação pode ser bem-sucedida.

Nisso concorda o vice-presidente da TAP. Para Gama Mór, o maior desafio de levar adiante a venda da estatal neste momento não é a companhia. “A noiva está linda. O problema é o noivo. Está faltando dinheiro no mercado.”

Segundo o vice-presidente da TAP, grandes companhias aéreas europeias estão operando no vermelho, com geração de caixa limitada ou negativa, sem fôlego para novos aportes. E os fundos de investimento enfrentam ainda a volatilidade financeira.

Segundo levantamento da Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata), o setor das companhias de aviação foi o que teve as menores taxas de retorno para detentores de bonds e ações na indústria, em levantamento da McKinsey que considerou 29 áreas de atividade. O setor deu aos aplicadores, entre 2007 e 2011, uma taxa de ganho de 4,1% anuais.

“Mas isso [estrutura frágil de capital] não tem impedido a TAP de crescer com as próprias pernas”, ponderou Gama Mór. “Temos um plano de investimento crível, com a própria geração de caixa. Temos uma posição estratégica competitiva em relação às outras europeias porque nossa disputa em rotas não é com as empresas do Oriente ou da Ásia, que estão crescendo. Somos fortes na América do Sul e África.”

Em 2012, a TAP transportou 1,5 milhão de passageiros entre a Europa e o Brasil, 55% do tráfego internacional da companhia, atendendo 10 destinos por meio de 74 voos semanais. “Não estamos programando nenhum voo novo neste ano, mas quando decidirmos ampliar os destinos, Belém e Manaus estão em nossas prioridades”, disse Gama Mór.

A TAP S.A., empresa aérea estatal portuguesa que integra o grupo TAP, registrou aumento de 4,4% na receita no primeiro semestre quando comparados os dados com os do mesmo período de 2012, atingindo € 974 milhões. O resultado final líquido foi negativo em € 111 milhões, em linha com a perda de € 112 milhões apurada entre janeiro e junho de 2012.

O desempenho financeiro foi afetado pelas perdas cambiais de € 13 milhões. Também impactou negativamente o balanço da companhia o pagamento aos trabalhadores de subsídios devidos em 2012, em decorrência das mudanças impostas pela Lei do Orçamento de Estado de 2013.

A receita bruta da TAP atingiu € 1,09 bilhão no primeiro semestre deste ano, ante € 1,08 bilhão em 2012. Os custos somaram € 1,1 bilhão, 1,2% acima do patamar em igual período do ano passado. A TAP transportou 4,9 milhões de passageiros, 4,8% mais que no primeiro semestre do ano anterior.

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