Mercado só crescerá em 2015, diz TAM

Valor Econômico
19/09/2013

Por João José Oliveira | De São Paulo

A presidente da TAM Linhas Aéreas, Claudia Sender, descarta uma retomada de crescimento no setor antes de 2015. “O ano de 2014 será de estabilidade ou pequena redução. O setor cresceu da forma cara. Agora a gente tem que crescer de forma eficiente”, disse Claudia Sender ao Valor. “Nossa estratégia é fazer a sintonia fina na segmentação da demanda para oferecer a cada cliente o produto mais adequado, no melhor preço”, disse.

O modelo em prática da empresa usa tarifas que variam conforme a sazonalidade. Eventuais aumentos de preços em um segmento, como o de lazer, acabam sendo compensados pelo menor preço médio no corporativo, e vice-versa, mantendo atratividade ante a concorrência sem abrir mão da margem média.

Conforme a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), a TAM fechou julho com uma participação de mercado de 41,9%, considerando a demanda medida por passageiros-quilômetros transportados (RPK, na sigla em inglês). A empresa respondeu por 39,10% da oferta no período, calculada por assentos-quilômetros oferecidos (ASK, na sigla em inglês). Sua taxa de ocupação foi de 84,39%.

“Manter [uma taxa de ocupação] acima de 85% é difícil, exige uma sintonia muito fina. Mas ultrapassamos a marca dos 82% e derrubamos o mito de que haveria turbulências. Esse patamar [acima de 80% de load factor] veio para ficar”, disse Claudia.

Ela afirmou que a conjuntura de dólar apreciado e combustível mais caro exige estratégia comercial que privilegie a melhor utilização das aeronaves. “Quando o custo de tirar o avião do chão é maior que o do ativo, temos que pensar duas vezes antes de voar e não apenas no custo do leasing”, disse Claudia Sender.

Esse raciocínio explica porque a TAM reduziu, entre janeiro e julho, a oferta de assentos em 9,3% ante o mesmo período de 2012, respondendo a um petróleo 10%, mais caro e ao dólar médio 15% apreciado – duas variáveis que impactam 70% dos custos aéreos.

Essa elevação nos custos levou a Latam, controladora da TAM, a um prejuízo líquido de R$ 681,8 milhões no segundo trimestre deste ano, ante lucro líquido de R$ 97,6 milhões obtido no mesmo período do ano passado.

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), no acumulado dos sete primeiros meses do ano, a demanda aérea doméstico no Brasil caiu 0,2%, enquanto a oferta cedeu 5,11% – primeira retração nessa base de comparação após uma década inteira de expansão, quando o número de brasileiros atendidos saiu de 33 milhões para 80 milhões.

Claudia diz que o ajuste da companhia às condições do mercado, que incluiu o corte em agosto de 811 profissionais, está feito. “Também não vamos lançar nenhum destino novo ou aumentar a frota este ano, e muito provavelmente também em 2014”.

A presidente da TAM Linhas Aéreas ressalta que a liderança de mercado continua sendo prioridade da empresa. “Liderança é importante, vale competitividade para uma empresa que é internacional e tem no Brasil parte relevante da companhia”.

A operação doméstica brasileira responde por 34% da oferta da Latam, holding que controla as aéreas TAM e LAN. “É possível sim ser líder e ter margens no nosso modelo”, afirma Claudia.

A executiva não disse quanto a companhia terá de margem de lucro antes de juros e impostos (Ebit) na operação brasileira. Mas afirmou que o Brasil tem papel relevante para que a Latam consiga atingir uma margem de 4% a 6%, conforme o prometido pela holding este ano.

Além do ajuste da política de preços de passagens, a TAM busca ganhos operacionais de eficiência. A presidente cita a expansão do autoatendimento, que saltou de 24% para 36% em média entre 2012 e 2013, a revisão de processos em solo e o aumento da frota de aeronaves de reserva como fatores que favorecem a melhora de indicadores de pontualidade e regularidade.

Segundo a executiva, esses fatores dão à TAM vantagem na manutenção do público corporativo, onde a companhia é líder. Mas é do turismo de lazer que ela espera um novo impulso, a partir de 2015.

Segundo estudo da Bain & Company, o número de passageiros embarcados per capita no Brasil saltou de 0,22 para 0,37 entre 2005 e 2012. Apesar desse aumento, esse indicador ainda é inferior à taxa de 0,50 que os Estados Unidos apresentavam nos anos 60. “Nosso turismo de lazer está 50 anos atrás dos Estados Unidos. Temos muito a crescer nessa área”, diz Claudia.

Quando esse quadro se confirmar, a TAM quer estar pronta para retomar expansão por meio de novos destinos e maior oferta. “Estamos sempre monitorando”, disse, sobre a possibilidade de abrir rotas quando a demanda pedir. “Olhamos os [aeroportos] regionais que estão evoluindo e que podem entrar na rede nacional em breve”.

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