Aéreas têm lucro em cenário estagnado

Valor Econômico
24/09/2013

Por Assis Moreira e João José Oliveira
De Genebra e São Paulo

O mercado latino-americano de transporte aéreo de passageiros vai respirar em 2014, dobrando o lucro em relação a 2013, aponta a Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês). Por trás dessa reação está o cenário estagnado das líderes que operam no Brasil.

Os lucros das aéreas na América Latina passariam de US$ 600 milhões neste ano para US$ 1,1 bilhão em 2014, segundo projeções da Iata.

No mercado global, a entidade tem números melhores: lucro de US$ 11,7 bilhões ante US$ 7,6 bilhões em 2012. Essa estimativa é inferior aos US$ 12,7 bilhões que a mesma associação fizera em junho passado.

A revisão foi provocada pela alta no preço do petróleo – no rastro da crise na Síria – e pelo crescimento ainda fraco das economias emergentes.

Na América Latina, executivos das companhias aéreas de grande porte no Brasil apontam que já será boa notícia o fato de haver lucro, qualquer um.

A Gol registrou no ano passado perda de R$ 1,5 bilhão e outro prejuízo de R$ 524 milhões entre janeiro e junho deste ano. E a Latam – dona da TAM e da Lan – contabilizou perdas de R$ 638 milhões no primeiro semestre deste ano, após lucro de R$ 5 milhões em 2012.

Com a alta do dólar e do petróleo – que respondem por mais de 70% da estrutura de despesa – TAM e Gol assumiram a estratégia de cortar custos e reduzir oferta para recompor margens.

Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) apontam que a demanda do transporte aéreo doméstico de passageiros (passageiros pagantes por quilômetro transportado, RPK na sigla em inglês) e a oferta (assentos oferecidos por quilômetro, ASK) tiveram em agosto queda de 0,42% e de 2,27%, respectivamente, na comparação com o mesmo mês de 2012 – primeira redução para esse mês em cinco anos.

Nos oito primeiros meses do ano, os índices de demanda e de oferta acumulam baixa de 0,08% e 4,6%, respectivamente, ante o mesmo período de 2012. Segundo a Bain & Company, o mercado brasileiro é mais da metade do setor na América Latina. A TAM responde por 54% da demanda da Latam, com sede no Chile.

A presidente da TAM Linhas Aéreas, Claudia Sender, disse ao Valor na semana passada que o ano de 2014 será de estabilidade ou pequena redução do mercado porque o setor passou a focar a eficiência da operação.

A Iata vai na mesma linha e diz que a fragilidade econômica no Brasil está sendo compensada por um melhor desempenho das empresas, na esteira das reestruturações. Segundo a entidade, o crescimento da demanda de passageiros de 6% deve superar a expansão de capacidade de 5,3% na América Latina.

“Globalmente, a lucratividade continua melhorando, mas temos alguns percalços”, disse Tony Tyler, diretor-geral da Iata em nota. “O crescimento do setor de cargas não se materializou. Os emergentes desaceleraram. E o preço do petróleo tem seu impacto”.

Para 2014, a Iata projeta lucro líquido de US$ 16,4 bilhões para o setor aéreo global, mais que o dobro do apurado em 2012. A entidade estima preço do petróleo em US$ 105 o barril, ante US$ 109 neste ano, na medida em que tensões geopolíticas diminuam.

A Iata prevê crescimento, para o mundo, de 5,8% no número de passageiros e de 3,7% no segmento de cargas. É nesse cenário que os lucros das companhias aéreas na América Latina podem chegar a US$ 1,1 bilhão no ano que vem, segundo a entidade.

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