Impasse nas emissões de aviação

Valor Econômico
10/10/2013


Por Daniela Chiaretti | De São Paulo

Uma solução global sobre como lidar com as emissões de gases-estufa das empresas aéreas foi acertada em conferência internacional na semana passada- essa é a boa notícia para reduzir as emissões de um setor que responde por 2% do total. A má notícia é que o sistema internacional será desenhado até 2016, para começar a funcionar em 2020, se tudo der certo.

Esta foi a resolução acertada por representantes de 192 países reunidos na semana passada em Montreal, no Canadá, em reunião da Icao – sigla para Internacional Civil Aviation Organization, órgão técnico da ONU que trata das questões relacionadas à aviação civil.

A questão mais complexa da reunião era se a redução de emissões do setor aéreo pode ser apoiada por medidas de mercado. Isto significa criar dispositivos econômicos para favorecer os cortes – uma taxa sobre o carbono emitido ou a criação de mercados de créditos de carbono (com licenças para emitir), por exemplo.

Para a União Europeia este era um ponto prioritário. Em 2010, a UE incluiu as emissões das empresas aéreas em seu mercado de créditos de carbono. “Foi uma decisão unilateral e muito mal recebida pelas outras nações”, diz um representante do governo brasileiro. Aviões que voassem sobre território europeu deveriam pagar pelas suas emissões, decidiu a UE. Os outros protestaram, da China aos Estados Unidos. A UE recuou dando um ano para uma decisão multilateral – até a reunião de Montreal.

“Medidas de mercado são parte de uma cesta e devem ser entendidas como uma parcela pequena da solução”, diz o executivo do governo. “O que a UE fez foi transformar medidas de mercado como a solução por excelência.” Para o governo brasileiro, medidas operacionais como controle do tráfego aéreo (que possibilitam gasto menor de combustível), frotas mais modernas ou uso de biocombustíveis fazem parte desta “cesta”. “O Brasil não acha que medidas de mercado estão erradas, mas que têm participação reduzida no problema”.

Enquanto o esquema global não é criado, os países acertaram na Icao que decisões neste campo têm que ser acertadas com os outros e que países com pouco tráfego aéreo estão fora destas regras.

“A ciência diz claramente que 2020 será muito tarde,” reagiu Samantha Smith, líder da Iniciativa Global de Clima e Energia da rede WWF. “Esta foi a primeira oportunidade que os governos tiveram de tomar medidas firmes depois da divulgação do novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), mas eles falharam.”

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