Passagem aérea fica 17% mais cara e é vilã da inflação de setembro

09/10/2013 – 12h29
FOLHA DE SÃO PAULO
 

PEDRO SOARES
DO RIO

Apesar da aceleração dos preços de importantes alimentos, vestuário e itens de habitação, o grande vilão da inflação em setembro foi o aumento das passagens aéreas, num momento de intensa procura e alta de custos, reflexo do preço mais elevado do combustível –que tem cotação em dólar.

Para o consumidor, os bilhetes ficaram 16,9% mais caros em setembro, após uma queda de 0,61% em agosto.

Segundo Eulina Nunes dos Santos, coordenadora de Índices de Preços do IBGE, o combustível é o item de maior peso no custo total das companhias aéreas, que embutiram o aumento no preço das passagens. “As companhias alegam que não repassaram tudo, mas algum repasse ocorreu”, afirmou.

Sozinho, o reajuste dos bilhetes aéreos correspondeu a 0,08 ponto percentual do IPCA de 0,35% –ou 24% do índice. Foi o produto que individualmente pesou mais na inflação de setembro –em seguida, veio o pão francês, com impacto de 0,04 ponto percentual, que também sobe na esteira da alta do dólar e do maior custo da importação de trigo.

A coordenadora do IBGE disse que, mesmo em período de baixa temporada, a demanda por passagens aéreas ficou aquecida por conta de dois eventos que movimentaram muitos turistas: o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, e o festival de música Rock in Rio.

Nesse cenário de maior procura por bilhetes, ficou mais fácil para as companhias repassarem o custo maior com o combustível.

Com o aumento das passagens aéreas, o grupo transporte saiu de uma deflação de 0,06% em agosto para uma alta de 0,44% em setembro –a de maior peso no IPCA do mês.

Apesar do forte reajuste em setembro, as passagens acumulam uma queda de 14,37% de janeiro a setembro. Em 12 meses, porém, a variação ficou positiva em 13,94%. O índice pega os meses finais de 2012, habitualmente cresce a procura por passagens áreas no fim do ano e os preços sobem.

ÔNIBUS

O grupo transportes subiu também por conta do fim do efeito benéfico da retirada dos reajustes de ônibus nas principais capitais, após a onda de protestos de junho. O impacto, que conteve a inflação, ficou concentrado em julho e agosto, quando as tarifas recuaram 3,32% e 0,20%, respectivamente.

Dentre as 11 capitais e regiões metropolitanas pesquisadas, apenas Fortaleza e Curitiba aumentaram as passagens de ônibus neste ano. Em Porto Alegre, onde começaram os primeiros focos de protesto contra o elevado custo do transporte público, os ônibus caíram 1,75%. Em Salvador, houve retração de 7,14% graças à redução da passagem aos domingos.

Em São Paulo, os preços ficaram estáveis, assim como nas demais áreas pesquisadas.

GASOLINA

Beneficiada pela safra recorde de cana e a consequente elevada produção de etanol, a gasolina ficou 0,42% mais barata em setembro. O derivado de petróleo recebe adição de 25% do biocombustível. Já o etanol recuou 0,72%.

Tal cenário, dizem analistas, abre caminho para um aumento da gasolina, pleiteado há meses pela Petrobras e sempre postergado pelo governo para não pressionar ainda mais a inflação.

Com o IPCA em 12 meses abaixo do teto da meta e no menor nível do ano (5,86%) e o recuo do preço dos combustíveis, abre-se uma janela para um reajuste em outubro, previsto pela LCA e outras consultorias.

A queda do etanol ajuda ainda a Petrobras. Com preço menor, o álcool fica mais competitivo em vários Estados, o que tende a reduzir o consumo de gasolina e a necessidade de importação do produto pela estatal.

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