Após valorização de 34%, Gol cai na bolsa

Valor Econômico
09/10/2013

Por João José Oliveira | De São Paulo

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Investidores venderam ações da Gol, que caiu 5% ontem, para garantir ganhos,
após alta de 34% em dez pregões

A Gol registrou ontem a segunda maior queda dos papéis que integram o Ibovespa. As ações caíram 5,04%, cotadas R$ 10,18. Só perdeu para a MMX, uma empresa de Eike Batista, cuja queda foi de 9%. O Ibovespa recuou 0,20%. Analistas ouvidos pelo Valor têm opiniões diferentes sobre os motivos para o comportamento das ações da Gol, que já havia subido 34% em dez pregões, entre 30 de agosto e 13 de setembro.

No fim de semana, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, declarou ao jornal “O Estado de S. Paulo” que o governo federal não pretende socorrer as companhias aéreas brasileiras para que saiam do período de dificuldades que atravessam.

Para um analista que acompanha o setor de aviação para um banco estrangeiro, o mercado vinha operando de maneira otimista e comprando ações da Gol na expectativa de que alguma medida de ajuda ao setor aéreo fosse anunciada, especialmente depois que a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) apresentou, em agosto, um estudo à secretaria de Aviação Civil (SAC) sobre situação das companhias brasileiras, com uma lista de pedidos.

“Nesse sentido, a declaração da ministra representou um fluxo de notícias negativas”, disse o analista. “Vale lembrar que essa possível ajuda do governo foi um importante fator para a ação da Gol subir no começo de setembro, além das estatísticas de tráfego fortes”, afirmou o profissional do banco estrangeiro.

Já outro analista, também de uma instituição financeira de capital externo que opera no Brasil, diz que a queda da Gol ontem refletiu um movimento técnico – quando o investidor vende uma ação após uma alta forte e rápida. “Acho que é mais ‘profit taking’ [realização de lucros]. Essas declarações da Gleisi não são novas”, disse o profissional, lembrando que a oposição da Casa Civil ao socorro das aéreas já era conhecida do mercado.

Outro analista, de uma gestora brasileira, lembrou que o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco, deixara os investidores esperançosos, ao dizer semana passada que o governo estudava atender ao pedido das aéreas para redução de PIS/Cofins, ICMS e aumento de participação de capital estrangeiro, prometendo inclusive uma decisão para antes do leilão de aeroportos, no dia 22 de novembro.

Nos primeiros oito meses deste ano, as companhias aéreas que operam no mercado doméstico tiveram retração de 0,4% no tráfego local e baixa, ainda mais expressiva, de 5,1%, na sua capacidade. Segundo a Associação Internacional do Transporte Aéreo (Iata), os cortes de capacidade no Brasil são resultado de inquietações das companhias com a fraca situação econômica e o impacto desse quadro na lucratividade.

No primeiro semestre deste ano, Gol e Latam – controladora da brasileira TAM e da chilena Lan – tiveram um prejuízo somado de R$ 1,1 bilhão.

O presidente da Abear, Eduardo Sanovicz, disse na semana passada que as empresas ainda aguardavam a resposta do governo para sugestões como alteração na fórmula de cálculo da querosene de aviação (QAV), redução do PIS/Cofins e da alíquota de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre o combustível.

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