Gol melhora resultado, mas ação cai

Valor Econômico
14/11/2013

Por João José Oliveira | De São Paulo

Após compras que valorizaram as ações da Gol na bolsa de valores em 94,8%, entre 5 de julho e 22 de outubro, o mercado acentuou ontem a devolução dos ganhos, encerrando a mais recente fase de otimismo desses investidores com relação aos ajustes que a companhia passou a fazer após perder R$ 1,2 bilhão em 2012. As ações da segunda maior aérea do país caíram ontem 3,71% na bolsa, a R$ 9,60, menor cotação desde 5 de setembro.

Analistas de instituições financeiras reconhecem que a Gol teve no terceiro trimestre deste ano melhoras ante 2012. Mas esses mesmos profissionais ponderam que o cenário segue difícil por causa do câmbio, da demanda estagnada e do espaço cada vez menor para cortar mais custos.

Os analistas do JP. Morgan Chase ressaltam que os custos medidos sem levar em conta a despesa com combustível (“ex-fuel”, no jargão do mercado) cresceram 6,7% em relação ao mesmo período de 2012. Um avanço provocado pelo dólar mais caro ante o real em 13% e menor diluição de custos fixos.

O presidente da Gol, Paulo Kakinoff, disse ontem que existe oportunidade de ganhos em taxa de ocupação das aeronaves em 2014. “Não vamos abrir mão de nossa estratégia de ‘yield’ [receita por passageiro em quilômetro transportado], mas enxergamos sim espaço para ganhos em ‘load’ [taxa de ocupação] em 2014”, afirmou o executivo, em teleconferência, a analistas.

“Continuamos preocupados com a sustentabilidade da estratégia voltada para o ‘yield’ [receita por passageiro no quilômetro transportado] no mercado doméstico e perfil ainda elevado de alavancagem”, escreveram os analistas do Bank of America Merrill Lynch, Sara Delfim, Roberto Otero e Murilo Freiberger.

O diretor financeiro da Gol, Edmar Lopes, afirmou ontem que vai continuar trabalhando para reduzir a relação entre múltiplos de endividamento e as receitas. Em 30 de setembro de 2013, o prazo médio de vencimento da dívida de longo prazo da empresa, excluindo o leasing financeiro, era de 5,6 anos, com taxa média de 11,1% nas obrigações em moeda local e 9,0% nas obrigações em Dólar.

“Vamos manter a nossa postura conservadora com relação ao câmbio”, afirmou Lopes, que reafirmou a meta de ter margem operacional entre 1% e 3% ainda neste ano.

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