Empresas aéreas projetam cenário estável para 2014

Valor Econômico
22/11/2013

Por João José Oliveira | De São Paulo

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) projeta para 2014, ano de Copa do Mundo de Futebol no Brasil, um ambiente de estabilidade para a aviação comercial em termos de oferta e de demanda. “Seguimos a economia. Só descolamos se as medidas que sugerimos ao governo forem adotadas”, disse o presidente da entidade, Eduardo Sanovicz, ontem em São Paulo, referindo-se às reivindicações feitas em agosto de desoneração tributária e redução do preço da querosene de aviação (QAV).

“Estamos aguardando educadamente uma resposta positiva ou negativa”, disse o executivo, ressaltando que a resposta do governo terá que ser dada formalmente e pelo ministro da Secretaria da Aviação Civil (SAC), Moreira Franco. “Ele é o ministro de nossa área e foi a ele que encaminhamos nossa pauta”, disse sobre a pauta de reivindicações encaminhada há quase três meses que demanda redução de PIS/Cofins e redução da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

Comparando os dados apurados ao longo dos 12 meses encerrados em outubro deste ano com os registros em 12 meses contabilizados até outubro de 2012, a aviação civil registra expansão de oferta e de demanda.

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A oferta (medida em ASKs, ou assentos-quilômetros oferecidos) aponta crescimento de 0,33% e a demanda (medida em RPKs, ou passageiros-quilômetros pagos), de 0,74%. “Se anualizarmos esse número, temos um crescimento da ordem de 8%”, disse o consultor técnico da Abear, Alberto Febeliano. “Mas nossa série histórica ainda é muito recente. Estamos apenas no segundo mês dessa série, então é uma loucura projetar que estamos em um ambiente de crescimento de 8% neste momento”.

O presidente Sanovicz lembrou que as duas maiores companhias do setor, TAM e Gol, cortaram oferta ao longo deste ano e estão trabalhando com um cenário de estabilidade para 2014.

Em termos de participação consolidada de mercado, a TAM segue como líder, com fatia de 41%, seguida pela Gol, com 35,3%, pela Azul, com 16,7%, e pela Avianca, com 7%.

O número acumulado de passageiros transportados chega a 76,540 milhões de pessoas, numa elevação de 0,76%. A taxa média de ocupação das aeronaves (ou load factor) revela pequeno avanço de 0,31 ponto percentual, situando-se em 75,77%.

A Gol anunciou na semana passada que vai manter estável a oferta de assentos para 2014. E a presidente da TAM Linhas Aéreas, Claudia Sender, afirmou ao Valor, em agosto, que a companhia também trabalha com um ambiente de estagnação para o setor aéreo brasileiro em 2014.

No cenário traçado pela Abear para 2014, a Copa do Mundo de futebol vai concentrar picos de demanda em junho e julho, mas terá esse efeito diluído ao longo da temporada. As empresas aéreas planejam ter até o início do ano que vem a definição da malha aérea doméstica que vai atender à demanda da Copa do Mundo. “Nossa meta é transportar todo mundo. Mas precisamos de operação especial para uma situação especial”, disse Sanovicz.

Na terça-feira da semana passada, durante reunião com integrantes do governo que incluiu técnicos e dirigentes da Anac, da Secretaria da Aviação Civil (SAC), da Receita Federal e do Ministério da Justiça, a Abear encaminhou uma lista de sugestões para agilizar o atendimento aos passageiros durante a Copa.

Entre as ações solicitadas estão a agilização por parte dos órgãos públicos para autorizar alterações de rotas e a ampliação do horário de funcionamento de aeroportos centrais, como Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ).

O representante das aéreas disse que a malha aérea com as rotas, horários e procedimentos para o período da Copa do Mundo não ficará pronta antes da última semana do ano. Ele explicou que as empresas precisam antes ter conhecimento do calendário de jogos no torneio.

“Só após o sorteio das chaves e da tabela é que saberemos como ficará a demanda, onde haverá mais e menos procura. É claro que um jogo entre Coréia e Nigéria terá menor demanda que Itália e Uruguai”, exemplificou o executivo da Abear. O sorteio das chaves e da sequência de jogos da Copa do Mundo será feita no próximo dia 6 de dezembro, na Costa do Sauípe, na Bahia.

“Assumimos o compromisso de entregar à Anac um plano de malha aérea até 15 dias após o sorteio”, disse Sanovicz. A partir desse prazo, a Anac terá então mais duas ou três semanas para autorizar as rotas solicitadas pelas aéreas. Depois dessa autorização dada pela Anac, as empresas precisarão então de mais umas duas semanas para começar a vender as passagens, afirmou o presidente da Anac.

O Ministério do Turismo calcula em 3,6 milhões o número de viajantes que se deslocarão no território brasileiro por causa da Copa, entre 12 de junho e 13 de julho, sendo 600 mil o universo de estrangeiros nesse grupo.

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