Empresas aéreas do Japão ignoram exigências chinesas

Globo
27/11/13 – 22h34

Pequim diz ter monitorado presença americana em ilhas disputadas
O GLOBO

China-Asserting-Airspace-2Disputa. Um avião japonês passa pelas ilhas Senkaku: chineses, que chamam o arquipélago
de Diaoyu, tentam controlar à força o espaço aéreo Uncredited / AP/13-10-2011

TÓQUIO — As principais companhias aéreas japonesas decidiram ignorar as exigências chinesas para sobrevoar a região das ilhas Senkaku – um pequeno arquipélago desabitado, de cerca de sete quilômetros quadrados no Mar da China Oriental e onde esconde-se uma vasta reserva de gás natural. Desde sábado, a ameaça de uma escalada diplomática e militar na Ásia se intensificou: a China decretou unilateralmente uma zona de defesa aérea sobre as ilhas, obrigando as empresas japonesas a informar de antemão a Pequim seus planos de voo.

A ousadia da medida chinesa pegou de surpresa os japoneses. Num primeiro momento, as duas maiores companhias aéreas do país, a Japan Airlines e All Nippon Airways, disseram que acatariam as exigências de Pequim “por motivo de segurança”, mas voltaram atrás a pedidos do premier Shinzo Abe.

As autoridades em Tóquio denunciaram a manobra como uma tentativa de golpe no espaço aéreo “profundamente preocupante”. Mas, depois de apresentar uma queixa formal ao embaixador chinês e manter a rotina inalterada na região, o governo japonês encontrou solidariedade num aliado de peso – os Estados Unidos.

O secretário de Defesa americano, Chuck Hagel, telefonou ao equivalente japonês para expressar apoio e, ao mesmo tempo, pedir contenção. Os EUA – embora não tenham tomado uma posição oficial sobre a soberania das ilhas – reconhecem a soberania de seus tradicionais aliados japoneses.

Analistas descartam essa possibilidade. Mas os americanos contribuíram para o clima tenso dos últimos dias. Numa demonstração de força, dois aviões bombardeiros B-52 desarmados decolaram da ilha de Guam, no Pacífico, e fizeram na terça-feira um sobrevoo de duas horas e 22 minutos pela zona de defesa declarada pela China. E sem avisar. Em Washington, fontes do Departamento de Estado tentaram minimizar o episódio, alegando que o sobrevoo era parte de um exercício aéreo planejado com antecedência. No Pentágono, porém, autoridades de segurança confirmaram tratar-se de uma resposta ao “ato provocativo” da China.

– Foi uma demonstração dos direitos internacionais de liberdade de navegação e trânsito no espaço aéreo internacional – afirmou um oficial do Pentágono ao jornal “New York Times”.

O governo chinês reagiu sem se intimidar, mas também em tom contido. O Ministério da Defesa da China disse ter monitorado os aviões americanos e destacou seu direito de reagir “de acordo com a dimensão das ameaças”.

– É preciso sublinhar que a China vai identificar todas as aeronaves que sobrevoem sua zona de identificação. A China tem capacidade para exercer um controle eficaz sobre o seu espaço aéreo – declarou Geng Yansheng, porta-voz do ministro da Defesa chinês.

Além de gás natural, especialistas acreditam que a região é rica em outros recursos marinhos e energéticos. A tensão em torno das as ilhas Senkaku – chamadas pelos chineses de Diaoyu- aumentou em setembro do ano passado, quando o governo do Japão comprou de seu proprietário japonês três de suas cinco ilhotas, numa ação que desencadeou violentas manifestações na China e estremeceu as relações bilaterais.

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