Sem novo sistema, Paraná teme que aeroporto feche por neblina na Copa

12/12/2013 10h00 – Atualizado em 12/12/2013 10h12

Mundial 2014 ocorre em mês com mais neblina no Aeroporto Afonso Pena. Segundo Infraero, a alteração de voos depende de cada companhia aérea.

Fernando CastroDo G1 PR

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Copa ocorrerá no período do ano em que o aeroporto Afonso Pena mais fecha (Foto: Reprodução/ RPC TV)O equipamento que poderia reduzir as ocorrências de fechamento – por conta de neblina e nevoeiro – do Aeroporto Afonso Pena, na região metropolitana de Curitiba, não estará em operação até o início da Copa do Mundo, segundo a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), que administra o terminal. A situação preocupa porque os jogos do Mundial acontecem em junho, mês de maior incidência de espaço aéreo fechado por falta de visibilidade.

O G1 publica, entre 9 e 15 de dezembro, uma série de reportagens sobre os preparativos para a Copa do Mundo 2014. Segundo levantamento, 75% das obras de mobilidade estão atrasadas ou foram descartadas.

A instalação do sistema de pousos por instrumentos ILS 3, promessa antiga para o Afonso Pena, só deve ocorrer em dezembro de 2014, segundo a Infraero, parceira do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) na instalação.

Na prática, é um complexo sistema instalado em diversos pontos, dentro e fora do aeroporto, que permite aos pilotos a aproximação e pouso sob condições de visibilidade e teto reduzidos. O radar de superfície, necessário à implantação, foi adquirido em março de 2013.

Atualmente, o Afonso Pena possui o sistema nas categorias 1 e 2. A própria Infraero e especialistas afirmam, porém, que a mera instalação não é suficiente. É preciso que as aeronaves e os pilotos estejam habilitados para operar o equipamento.

“Dependendo das condições meteorológicas, pode haver ‘fechamento’ do aeroporto para garantir a segurança das operações”, diz a Infraero em nota.

Segundo dados da empresa, das 80 horas e 13 minutos em que o Afonso Pena permaneceu fechado em 2013, mais da metade – 47 horas e 52 minutos – ocorreram no mês de junho. Julho vem na sequência com 14 horas e 41 minutos de fechamento. Em Curitiba, os quatro jogos da Copa estão marcados para os dias 16, 20, 23 e 26 de junho.

O meteorologista do Simepar Fernando Mendes afirma que, além da época do ano, diversos outros fatores favorecem a formação de neblina e nevoeiros em São José dos Pinhais, onde fica o aeroporto. “Há a proximidade com o oceano, o que, dependendo do vento favorece a incursão de umidade. Isso pode formar a nebulosidade baixa, o que é muito comum aqui na região”, explica.

Outros fatores que influenciam a formação da neblina são a altitude de 900 metros, que leva a um padrão médio de temperatura menor, e o resfriamento que leva à uma maior diferença entre a temperatura do ponto de orvalho e a do ambiente, de acordo com Mendes.

123unnamedAfonso Pena não possui o equipamento ILS 3 para pousos por instrumentos (Foto: Reprodução/ RPC TV)

Ao G1, a Infraero informou que eventos de grande porte, como Copa do Mundo, demandam um Manual de Operações específico com diretrizes da Comissão Nacional de Autoridades Aeroportuárias, que deve conter informações sobre a organização, gerenciamento operacional, planos de estacionamento de aeronaves, fluxos e capacidade de cada aeroporto.

No caso de desvio de aeronaves por consequência de fechamentos, porém, a Infraero diz que cabe a cada companhia aérea definir seu plano de ação, contendo “uma série questões inclusive os aeródromos alternativos (em rota e destino)”. “Portanto, qualquer avião em qualquer período do ano sempre aponta seus aeródromos para alternar antes de iniciar seu voo”, explica a nota.

Ainda segundo a Infraero, os critérios de escolha levam em conta questões como tamanho da aeronave, capacidade do serviço prestado e autonomia do avião. As alternativas mais tradicionais à Curitiba costumam ser Joinville, Navegantes e Florianópolis, todas em Santa Catarina, e cabe às companhias aéreas prestar assistência necessária aos passageiros.

Região do aeroporto tem condiçõs propícias à formação de neblina (Foto: Reprodução/ RPC TV)Região do aeroporto tem condiçõs propícias à formação de neblina (Foto: Reprodução/ RPC TV)
sasdasdunnamedObras de restauração da pista de pouso já foram
concluídas no Paraná(Foto: Fernando Castro/ G1)
asdasdunnamedEstacionamento do aeroporto Afonso Pena ainda
está em obras (Foto: Fernando Castro/ G1)
aTerminal de passageiros deve ser ampliado até a
Copa de 2014 (Foto: Fernando Castro/ G1)

Obras
Na matriz de responsabilidades da Copa, assinada em 2010 para obtenção de recursos do PAC da Copa, três obras foram previstas para o Afonso Pena. Destas, apenas a restauração da pista de pouso, que custou R$ 19,06 milhões já foi concluída – em junho de 2012. O primeiro prazo estabelecido, porém, era abril de 2012, e o custo estimado era de R$ 17,8 milhões.

Para dezembro de 2013 está prevista a conclusão da obra de ampliação do pátio, infraestrutura, macrodrenagem e obras complementares no terminal. Essas intervenções começaram em julho de 2011, e, segundo a Infraero, estavam 97,51% concluídas na última aferição, em outubro. Com gastos de R$ 28,04 milhões, a obra também ficou mais cara do que o previsto inicialmente – R$ 25,4 milhões.

A obra mais atrasada é a ampliação do terminal de passageiros e do sistema viário do aeroporto. Previstas para serem concluídas em julho de 2013 anteriormente, este prazo foi prorrogado para maio de 2014, um mês antes do início da Copa. Isso porque as obras começaram apenas em maio de 2013.

Segundo a Infraero, até outubro 9,15% dos trabalhos haviam sido realizados. Até a Copa, devem ser investidos R$ 110,16 milhões, sendo que o primeiro valor previsto era de R$ 41,3 milhões.

O terminal de passageiros deve ter a capacidade ampliada de 45 mil para 64,8 mil metros quadrados, com acréscimo na capacidade de passageiros de 7,9 milhões para 10,4 milhões. A expectativa de demanda é de que 8,4 milhões de passageiros passem pelo Afonso Pena em 2014.

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