Embraer anuncia venda de até 150 aeronaves para a American Airlines

O Estado de S.Paulo
12 de dezembro de 2013 | 10h 25

Pedido de encomendas firmes de 60 aviões do modelo E-175 é estimado em US$ 2,5 bi; opções de compra para outras 90 aeronaves podem elevar o valor do negócio para mais de US$ 6 bi
Marina Gazzoni – O Estado de S. Paulo
Atualizado às 21h10

32423unnamedEmbraer vendeu 177 jatos E-175
a aéreas dos Estados Unidos

SÃO PAULO – A Embraer anunciou nesta quinta-feira a venda de até 150 aeronaves para a American Airlines, em um contrato que pode somar US$ 6,25 bilhões, considerando pedidos firmes e opções. A American Airlines é a quarta companhia aérea dos Estados Unidos a encomendar jatos da Embraer este ano. Ao todo, a fabricante brasileira vendeu mais de 700 aeronaves para companhias do país, considerando pedidos firmes e opções de jatos de primeira e segunda geração.

O contrato com a American Airlines prevê 60 pedidos firmes de jatos E-175 e mais 90 opções. Só os pedidos firmes somam US$ 2,5 bilhões, considerando os valores de tabela do modelo.

A empresa também encomendou 30 jatos CRJ900 NextGen, da canadense Bombardier, com opção para mais 40 aeronaves. Os aviões da Bombardier começarão a ser entregues no segundo trimestre de 2014. Já os da Embraer chegam a partir do primeiro trimestre de 2015.

Os jatos das duas fabricantes voarão com a marca American Eagle e serão operados por uma companhia aérea parceira da American Airlines a ser definida, disse a empresa em comunicado.

Os pedidos da American Airlines encerram um ciclo de compra de aeronaves das companhias americanas para voos regionais. O gatilho para a renovação da frota foi um acordo entre empresas e sindicato de pilotos, firmado em 2012, que permitiu que elas fizessem voos regionais com aviões maiores. Pela nova regra, as empresas poderiam operar com aeronaves capazes para até 76 passageiros, contra 50 no limite anterior.

Após a mudança, as aéreas americanas partiram para as compras, intensificando a disputa entre Embraer e Bombardier, líderes no segmento de jatos de 70 a 120 assentos.

A fabricante brasileira levou a maioria dos contratos da rodada. As vendas de jatos de primeira geração representaram cerca de 70% das encomendas das empresas americanas nessa categoria após a mudança de regras. A empresa também vendeu 200 aeronaves E-175 de segunda geração, entre pedidos firmes e opções. O modelo lançado neste ano deve chegar ao mercado em 2020.

Ao todo, a Embraer vendeu 177 jatos E-175 para empresas aéreas americanas – Republic Airways, American Airlines, United e Skywest -, que devem ser entregues nos próximos três anos. Já a Bombardier fechou 70 pedidos firmes, considerando as compras feitas pela American e o contrato com a Delta.

“A mudança na regulação foi o que nos permitiu oferecer às empresas americanas um avião maior. Mas ganhamos a disputa porque o nosso avião tem menor custo operacional e uma cabine mais larga”, disse o presidente da Embraer Aviação Comercial, Paulo Cesar Silva.

As encomendas das empresas americanas representaram 80% das vendas totais da Embraer este ano. Esse aquecimento do mercado americano foi fundamental para o crescimento da carteira da pedidos da empresa em 2013, após três anos consecutivos de queda. No terceiro trimestre, a empresa acumulava US$ 17,8 bilhões em pedidos firmes, acima dos US$ 12,5 bilhões no fim de 2012, mas ainda abaixo dos US$ 20,9 bilhões de 2009.

Análise. O crescimento da carteira de pedidos e das grandes encomendas deixou analistas preocupados com o impacto da concentração nas margens da Embraer. Analistas de BTG Pactual, Citibank e Itaú BBA escreveram em relatórios que o desconto concedido às aéreas americanas pode ter sido elevado.

“Uma proporção crescente de E-175 no mix, juntamente com descontos comerciais para grandes encomendas, devem pesar sobre as margens do segmento (de aviação comercial) no curto prazo”, disseram os analistas do BTG Pactual.

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