Impasse no setor aéreo ameaça festas de fim de ano

Estado de Minas
13/12/2013 07:16

Sem medidas novas para evitar transtornos no fim de ano, ministro diz que ação depende de apoio da Receita e da PF
Sílvio Ribas
Pedro Rocha Franco

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Brasília – Sem apresentar novidades em relação aos dois últimos anos, o governo federal inicia hoje mais um plano de mobilização para encarar o desafio do elevado movimento nos grandes aeroportos do país durante a temporada de fim de ano. Mas para o ministro-chefe da Secretaria da Aviação Civil (SAC), Wellington Moreira Franco, o sucesso das medidas anunciadas ontem vai depender da cooperação da Polícia Federal (PF) e da Receita Federal em reforçar a presença de seu pessoal nos terminais, para desafogar filas.

Logo após presidir o encontro da Comissão Nacional de Autoridades Aeroportuárias (Conaero), que avaliou o pacote Operação Fim de Ano, com ações válidas até 13 de janeiro, Moreira Franco mostrou-se confiante com a expectativa de atingir resultados iguais ou melhores que os obtidos em igual período do ano passado, quando não houve graves transtornos. Mesmo assim, revelou a sua preocupação com o “número necessário de pessoal” da Receita e da PF, sobretudo em Guarulhos (SP).

Segundo o ministro, os dois órgãos alegam “problemas orçamentários” para garantir um contingente mínimo desejado de servidores nos plantões. Mas ressaltou que o governo já se mostrou sensível ao problema e está disposto a garantir os recursos não previstos. “Os fiscais e agentes federais prestam um serviço essencial ao fluxo dos passageiros”, observou, lembrando que atrasos e filas prejudicam o cumprimento de horários de conexões, num efeito dominó.

Moreira Franco fixou terça-feira como data limite para resolver o impasse com PF e Receita. Ele designou o secretário- executivo da SAC, Guilherme Ramalho, para negociar o reforço de equipes nos aeroportos com as chefias dos órgãos. “Para não pintar tudo de azul, devo ainda lembrar que teremos essas duas questões ainda por resolver”, sublinhou o ministro durante entrevista coletiva.

A Polícia Federal confirmou o agendamento da reunião com a SAC na próxima semana para tratar do tema Operação Fim de Ano, mas descartou “qualquer alegação de falta de recursos para incremento de efetivo”. “Pelo contrário. Há muitos anos a PF realiza recrutamento interno de servidores para que trabalhem no reforço dos aeroportos durante a alta temporada”, acrescenta o departamento em nota.

O plano de ação voltado para o período de alta temporada de fim de ano listou uma série de procedimentos especiais, que serão adotados pelas administrações dos 12 maiores aeroportos, pelas cinco principais companhias aéreas e pelo grupo de órgãos federais que atuam no sistema aeroportuário. Elas visam, segundo Moreira Franco, a “segurança, tranquilidade e conforto” ao público.

Apelo O ministro e o representante das companhias aéreas, Adalberto Febeliano, fizeram um apelo aos passageiros para que optem por fazer check-in na internet, em casa ou pelo telefone, para desafogar pontos de atendimento nos aeroportos, muitos dos quais já limitados pela rotina de obras. As companhia aéreas se comprometeram a não fazer reserva de assentos em número maior ao da capacidade dos aviões, o overbooking.

O diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Marcelo Guaranys, afirmou que algumas empresas já adotaram esse costume até mesmo fora da alta temporada, mas reconheceu que o overbooking ocorre com naturalidade, a partir de índices sobre demandas e desistências. A Anac espera que o movimento de passageiros este mês se mantenha em relação a 2012, quando 16,4 milhões passaram pelos aeroportos. Para 2013, são esperados 200 mil a mais e o maior movimento será em 20 de dezembro, sexta-feira. O conjunto de medidas apresentado ontem pelos integrantes da Conaero já vem sendo adotado nos anos anteriores. Entre os pontos anunciados estão instalação de esteiras de bagagem, aviões reserva e reforços no atendimento em solo e opções de lanche mais em conta.

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Incidente a bordo

Passageiros de um voo da TAM passaram por mais de 10 horas de terror na semana passada. Sem condições de pouso no aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), os viajantes ficaram sem receber água e comida, e depois de um dos muitos desentendimentos com a equipe de bordo, uma passageira foi algemada e presa pela Polícia Federal, segundo relatos de uma passageira. Outra pessoa, com suspeita de infarto, teve que ser atendida às pressas dentro da aeronave e várias passaram mal.

Às 16h30 de quinta-feira, os passageiros do voo JJ-3641 embarcaram em Brasília rumo ao aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, com escala em Campinas. Devido a uma tempestade, o avião teve que seguir para Ribeirão Preto (SP), onde pousou às 18h20. Sem poder descer da aeronave, iniciava-se ali o pesadelo dos passageiros. Durante os minutos iniciais da parada, os viajantes aproveitaram para ir ao banheiro e, em seguida, pedir água à tripulação. Depois de aproximadamente duas horas, no entanto, o papel higiênico teria acabado e a chefe de bordo ordenado a interdição dos sanitários. “No meio do nada, as portas fechadas, as crianças chorando, gente passando mal e o banheiro interditado. Era um pesadelo”, relata a servidora pública, Paula Pina.

Às 2h30, a aeronave finalmente pousou no Galeão, com mais de seis horas de atraso. Em nota, a TAM afirma que a aeronave permaneceu em Ribeirão Preto aguardando “melhoria das condições climáticas”.

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