Congonhas planeja segundo terminal e nova pista de pouso

01/01/2014 – 03h00

RICARDO GALLO

DE SÃO PAULO

Aeroporto com cinco das dez rotas mais movimentadas do Brasil, Congonhas (zona sul de São Paulo) deve mudar nos próximos anos, por iniciativa do governo federal.

Entre as possibilidades estão a demolição da pista atual, a construção de outra e a criação de um segundo terminal de passageiros.

A necessidade de alteração se dá porque, da maneira como está, Congonhas descumpre normas nacionais e internacionais de segurança para aeroportos.

A distância da pista de táxi para a pista principal, por exemplo, é inferior ao exigido. Os aviões que ficam nas pontes de embarque estão muito próximos da pista e do terminal de passageiros.

Tampouco há área de escape no final das pistas; para tentar corrigir a situação, o tamanho das pistas foi reduzido virtualmente em 2007, após o acidente com o Airbus da TAM: os aviões ficaram com menos espaço disponível para decolar e pousar.

Um grupo de trabalho liderado pela Secretaria de Aviação Civil discute as alterações, que integram revisão do Plano Diretor do aeroporto.

Segundo a SAC e a Infraero, que administra Congonhas, ainda não há prazo para as conclusões serem definidas e implementadas.

Editoria de Arte/Folhapress
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POSSIBILIDADES

Folha obteve uma apresentação feita pela Infraero em 8 de novembro com as mudanças em estudo.

Nenhuma deixa o aeroporto como ele é hoje.

Uma das possibilidades para ajustar a pista às normas é “deslocá-la” para o lado, em direção aos hangares de aviação executiva.

A segunda pista, dedicada hoje à aviação geral e executiva, deixaria de existir ou seria usada eventualmente.

O impacto previsto, segundo a própria Infraero, é reduzir as operações do aeroporto. Hoje Congonhas tem 34 pousos ou decolagens por hora e é essencial para a aviação comercial brasileira.

Não haveria necessidade de desapropriação.

Outra simulação prevê retirar os hangares de aviação executiva de modo a aumentar a segunda pista, que passaria a ser usada como principal. A pista principal passaria a ser utilizada de modo restrito, apenas em voos com condição visual.

TERMINAL

Outra hipótese, segundo a Infraero, é construir um novo terminal de passageiros bem em frente ao atual, onde hoje ficam hangares de aviação executiva. Essa hipótese deixaria Congonhas com só uma pista.

Há duas propostas para o terminal, uma com 40 mil metros quadrados e outra com 43 mil metros. O local aumentaria em cerca de 60% o espaço disponível hoje em Congonhas -o terminal atual tem 64 mil metros quadrados.

A conexão entre os dois terminais se daria por um túnel.

Isso não só aumentaria o espaço do aeroporto, mas principalmente tiraria as pontes de embarque do lugar onde estão -e a levariam para o novo terminal, eliminando uma irregularidade.

Seria necessário desapropriar até 114 mil metros quadrados para a obra ocorrer.

As “desconformidades” que motivaram o estudo de mudanças, conhecidas há alguns anos, são toleradas pelo fato de Congonhas ter sido erguido antes de algumas das normas de aeroportos.

Inaugurado em 1936, o aeroporto começou a ganhar o formato atual a partir da década de 1950.

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