Brasil compra mais jatos executivos e pode superar México em 2014

Valor Econômico
03/01/2014

Por Virgínia Silveira
Para o Valor, de São José dos Campos

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Sapata, da Sertrading, vendeu 35
aeronaves executivas em 2013 e faturou
R$ 400 milhões: expansão de 63%

A Sertrading, uma das maiores trading companies do país, vendeu 35 aeronaves executivas em 2013, com receita de R$ 400 milhões. O valor faturado é 63% maior do que o de 2012 e a expectativa para este ano é de uma expansão de 50%. Não se trata de um caso isolado. Fabricantes como Embraer e Beechcraft preveem crescimento no mercado brasileiro de aviões e helicópteros executivos em 2014 e além deste ano.

Com uma frota de 800 jatos executivos, o mercado brasileiro está prestes a se tornar o segundo maior do mundo, superando o México, hoje com 820 aviões. Estados Unidos se mantém firme na primeira colocação, com um total de 11.300 jatos.

Se forem incluídos os aviões turboélices e os helicópteros, a frota da aviação executiva brasileira compreende hoje 13.965 aeronaves. Há potencial para um crescimento médio de 10% ao ano, segundo projeção feita pelos principais fabricantes mundiais, o que garante ao país o título de maior mercado do mundo para novos negócios neste segmento.

Segundo a Embraer, nos próximos dez anos o Brasil deve movimentar negócios da ordem de US$ 8,4 bilhões, com a aquisição de até 530 jatos executivos. A empresa já entregou mais de 130 jatos executivos para clientes nacionais.

O vice-presidente da Sertrading, Luciano Sapata, credita esse cenário positivo “a uma necessidade, cada vez maior, de mobilidade dos executivos”. As dimensões continentais do país, o déficit aeroportuário, e os investimentos industriais em regiões localizadas fora do eixo Rio-São Paulo também impulsionam os negócios. Em 2013 a trading, que tem entre seus clientes a TAM Aviação Executiva, faturou R$ 400 milhões.

Até o terceiro trimestre de 2013, a divisão de aviação executiva da Embraer havia gerado uma receita de R$ 1,8 bilhão (ou US$ 770 milhões) à Embraer, com a entrega de 66 jatos, sendo 52 leves e 14 de grande porte. A empresa não especifica quanto disso destinou-se ao Brasil, que representa de 20% a 25% das vendas – os Estados Unidos, quase 50%. A expectativa era de que esse segmento da Embraer faturasse entre US$ 1,4 bilhão e US$ 1,6 bilhão no ano passado, com a venda de 80 a 90 jatos leves e de 25 a 30 jatos grandes.

Neste ano de 2014 a Embraer prevê colocar à venda, até junho, seu novo modelo de jato, o Legacy 500, e com ele, aumentar sua fatia no mercado doméstico de aviação executiva, que é de 38%, tomando como base as entregas de 2012. A companhia também aposta no Legacy 450, que no dia 28 de dezembro fez seu primeiro voo. A aeronave, com capacidade para quatro passageiros, tem autonomia para voar, sem escalas, de Los Angeles a Boston, nos Estados Unidos ou de São Paulo a Lima, no Peru, por exemplo. Segundo a Embraer, o Legacy 450 é o primeiro jato executivo da sua categoria no mundo equipado com sistema de comandos de voo eletrônico, conhecido como ‘fly-by-wire’.

A americana Beechcraft, que faz perto de 70% das vendas de aeronaves turboélices executivas no Brasil, afirma que o país continua sendo o maior mercado para os produtos da empresa fora dos EUA. Nos últimos cinco anos, segundo a empresa, as vendas feitas no Brasil responderam por 10% do faturamento total da companhia no mundo. No Brasil, a Líder Aviação é a representante exclusiva para as vendas dos seus aviões.

A Beechcraft informa que já vendeu aproximadamente 420 aeronaves King Air no Brasil, das quais 19 em 2012. Este número, de acordo com a empresa, representa uma participação de 42% no mercado de vendas de aeronaves turboélice na região.

“O Brasil tem sido e continua a ser um mercado muito importante para nós, pois responde por metade de todas as nossas vendas na América Latina. Em 2014 esperamos que haja um incremento no serviço e suporte necessários para nossas aeronaves que estarão voando dentro e fora do evento da Copa do Mundo”, informou a empresa.

A empresa americana avalia que os preços das aeronaves mostram certa recuperação, mas ainda não voltaram aos patamares anteriores ao período da crise financeira mundial deslanchada em 2008.

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