Passagem aérea sobe mais que a inflação pelo 3º ano seguido

G1
10/01/2014 16h20

Preço médio subiu 7,42% em 2013, segundo o IBGE.
Tendência é de mais alta em 2014, em razão da Copa, diz economista.

Darlan Alvarenga
Do G1, em São Paulo

inflação passagens aéreas 2013
ipca 2013

Os preços das passagens aéreas subiram mais do que a inflação pelo terceiro ano seguido, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Enquanto a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou 2013 em 5,91%, as tarifas saltaram 7,42% no acumulado do ano.

Somente em dezembro, a variação foi de 20,13%, o que mostra que a inflação da passagem aérea começa 2014 bastante pressionada.

Apesar da continuidade das altas, o aumento das passagens em 2013 foi menos acentuado do que o dos anos anteriores. Em 2012, a alta acumulada no preço dos voos feitos dentro do país foi de 26%, ante uma inflação oficial de 5,84%. Em 2011, os preços saltaram 52,91%, segundo o IBGE, ante um IPCA de 6,5%. Já em 2010, o serviço subiu abaixo da inflação, com alta de 3,17% ante uma variação de 5,92% do IPCA.

As companhias aéreas atribuem a alta dos últimos anos, sobretudo, à elevação do preço do combustível de aviação, mas afirmam que a tarifa doméstica yield (valor médio que o passageiro paga para voar 1 km em território nacional) ainda se mantém abaixo do patamar de 2002.

“As empresas têm buscado incessantemente a eficiência e a melhoria dos serviços, têm promovido a transferência integral dos ganhos aos passageiros por meio da redução de tarifas, motivadas por uma concorrência acirrada no setor, e atualmente lidam com obstáculos além de sua gestão, representados essencialmente pela precificação ultrapassada do combustível e pela pesada tributação do insumo, além das deficiências de infraestrutura aeroportuária e de navegação aérea”, afirmou a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), em nota.

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a tarifa média praticada no país no 1º semestre de 2013 foi de R$ 302,98, valor 4,15% superior à tarifa média do primeiro semestre de 2012. A agência ainda não divulgou o seu balanço anual. Apesar dos últimos aumentos, a Anac afirma que, de 2005 a 2012, a tarifa média de voos domésticos caiu 48,77%.

A Abear considera a avaliação do IBGE imprecisa para a medição do comportamento dos preços das passagens aéreas. A entidade destaca que há diferenças metodológicas entre os índices do IBGE e da Anac. Segundo a associação, enquanto o IPCA avalia preços públicos disponíveis nos sites e sujeitos a variações até o momento da comercialização, a Anac fornece a média aritmética dos valores de todos os bilhetes efetivamente comercializados.

Com Copa, tendência é de alta em 2014
O economista Evaldo Alves, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), avalia que a tendência é de alta nos preços das passagens em 2014, em razão da Copa do Mundo no Brasil.

Vamos ter uma procura anormal neste ano. As empresas vão tentar se ajustar com voos extras, leasing, entre outras adaptações que certamente elevarão os custos”
Evaldo Alves, da FGV

“Vamos ter uma procura anormal neste ano. Com o aumento da procura, as empresas vão tentar se ajustar com voos extras, leasing, entre outras adaptações que certamente elevarão os custos e, consequentemente, os preços”, afirma.

O economista destaca, porém, que, para driblar os preços altos, é cada vez mais comum o hábito de antecipar as compras de passagens.

“Temos uma mercado fechado, com poucas companhias atuando no setor. O que temos observado são consumidores utilizando melhor o seu poder de barganha. Como todas as empresas oferecem descontos na compra antecipada, até o mercado corporativo começou a implementar a diretriz de programar melhor os voos dos seus funcionários”, diz Alves.

O professor da FGV acredita que a partir de 2015 aumentará a pressão para uma abertura do mercado aéreo. “A tendência é entrarem mais empresas no mercado, que está exigindo isso. Com mais concorrentes, teoricamente há mais chances de o preço cair”, afirma ele, lembrando que a legislação atual não permite que empresas estrangeiras atuem na aviação doméstica.

Recentemente, o presidente da Embratur, Flávio Dino, defendeu um teto para passagens durante o mercado e autorização temporária para que companhias aéreas estrangeiras operem no mercado interno. Na visão dele, as atuais regras do mercado aéreo nacional são o “pior dos mundos”.

As empresas brasileiras resistem à proposta e a ideia também foi descartada pela Anac.

A Abear justifica o preço elevado das passagens para os dias da Copa devido à alta demanda, “atípica, muito concentrada em dias e horários específicos”. A entidade culpa ainda o sistema tributário pelos preços elevados dos voos domésticos, especialmente sobre o combustível.

Confira abaixo nota da Abear sobre as diferenças nos índices de variação de preços das passagens aéreas domésticas da Anac e do IBGE:

“A diferença está na metodologia de apuração. A ANAC mede preços efetivamente pagos, enquanto o IBGE faz pesquisas toda semana no site das companhias.

Para calcular as tarifas praticadas no país, a ANAC se baseia em dados passados pelas companhias. Em um ano, são considerados mais de 50 milhões de bilhetes vendidos em 7.500 rotas.

Já o IBGE faz pesquisas toda semana no site das empresas (tarifas públicas). As rotas têm como origem apenas as 11 cidades nas quais o IBGE pesquisa preços: Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre, Goiânia e Brasília.

A comparação é sempre com os mesmos voos, em viagens de ida e volta, com partidas aos sábados e retornos aos domingos da semana seguinte. O IBGE apura preços com 60 dias de antecedência em meses de férias – janeiro, fevereiro, julho e dezembro – e 30 nos demais meses.”

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