Iberia busca cliente corporativo para voltar a crescer

Valor Econômico
24/02/2014 às 05h00

Por Vanessa Dezem | De São Paulo

Martínez, vice-presidente para América Latina: Brasil é mercado prioritário para este novo momento da empresa

Martínez, vice-presidente para América
Latina: Brasil é mercado prioritário para
este novo momento da empresa

Depois de finalmente conseguir um acordo com o sindicato dos pilotos da Espanha na última quinta-feira e encerrar uma briga que durava mais de dois anos, a Iberia tenta se reestruturar e começa a colocar em prática suas estratégias para voltar a crescer. Já pensando no pós-crise, a espanhola busca uma renovação da marca e concentra seus esforços no segmento de clientes corporativos, com foco na América Latina, sua “rota-chefe”.

“Madri é a base das companhias latinas na Europa. No segmento corporativo temos maior vantagem competitiva”, afirmou ao Valor o novo vice-presidente comercial da Iberia para América Latina, Frédéric Martínez.

No escritório da companhia na Avenida Paulista, o executivo afirmou que o Brasil é mercado prioritário para este novo momento da empresa. Para isso, a espanhola aposta na melhora do serviço: a partir de maio, chegam ao país aviões com novas cabines que, segundo Martinez, terão mais espaço, conforto, e mais ferramentas de entretenimento. O foco no cliente de negócios envolve também melhorias na oferta de tecnologia: todos os assentos das aeronaves contarão com tomadas para carregar aparelhos eletrônicos e a empresa aguarda aprovação das autoridades para oferecer Wifi a bordo.

A partir de junho, a empresa prevê que três quartos dos voos do Brasil à Espanha serão operados por aviões com as novas cabines. São ao todo 17 aviões Airbus A340-600 e oito A330 que fazem o percurso, e devem ser renovados em um ano a partir de agora.

Com dois voos diários que saem de São Paulo e um que sai do Rio para Madrid, a Iberia tem 36% da participação de mercado na rota Brasil-Espanha. Quando se considera apenas a classe “business”, a fatia chega a 49%.

“Temos um bom hub (polo de voos), bom nível de produto, e atendemos a demanda com pontualidade. É um modelo difícil de se copiar quando se trata do segmento corporativo”, afirmou o executivo. Nas rotas da América Latina para a Europa, a empresa opera com 200 voos por semana, o que representa 16% do mercado.

A aposta da Iberia na rota Brasil-Europa é uma tentativa de compensar os reveses que a empresa tem sofrido, principalmente com a crise no mercado europeu. No ano passado, a companhia viu cair em 16,5% seu número de passageiros transportados por quilômetro, para 41,5 milhões. Em 2012, a queda tinha sido de 3,1%.

Em meio a um processo agressivo de corte de custos – em que a companhia diminuiu seu quadro de funcionários em mais de 3.000 pessoas (15% do total) – houve também uma redução na oferta de assentos, com queda de 14%, para 52,5 milhões. O prejuízo da companhia espanhola até setembro do ano passado somava € 165 milhões.

O cenário começou a melhorar na quinta-feira da semana passada, quando a Iberia conseguiu um acordo com o sindicato dos pilotos, que aceitou congelar os salários destes profissionais até 2015 – que já tinham sido cortados em 14% em um acordo anterior – e vincular a remuneração dos funcionários à rentabilidade da companhia.

Para Martínez, com o acordo, a empresa agora consegue se estruturar para voltar a competir. No Brasil, o ano começou com números positivos para o setor. Segundo dados de mercado disponibilizados pela própria Iberia, as reservas de voos com origem no Brasil entre janeiro e maio registradas pelas companhias aéreas cresceram 13%, na comparação com o mesmo período do ano passado. As reservas para a rota com origem na Europa, no entanto, avançaram apenas 0,5%.

Para a Copa, a Iberia não vai além de seus três voos diários no Brasil, mas vai colocar sua capacidade máxima nos voos existentes, disponibilizando os maiores aviões para a cobertura do período do evento (os A340-600).

Está ainda no radar para este ano o reforço de parcerias com as companhias aéreas locais, a TAM e a Gol. Desde 2009, a espanhola tem um acordo de compartilhamento de sistemas de vendas, o chamado “code-share”, com a Gol. Segundo o executivo, o fato de a TAM ingressar na aliança internacional One World ainda no primeiro semestre deste ano deve “abrir novas possibilidades” com a aérea brasileira, e um acordo code-share deve passar a ser discutido. Além disso, a possibilidade da utilização de outros aeroportos brasileiros para a rota a Madri volta a ser analisada pela empresa, já que as concessões para o setor privado devem trazer investimentos para o setor.

O executivo vê a economia brasileira de maneira positiva. “Há riscos no Brasil, mas a economia sempre tem contrapartidas”, afirma Martinez, citando a possibilidade de a alta do dólar promover o avanço das exportações do país. “O acordo (com os pilotos) e os custos menores foram importantes para conseguirmos agora projetar nosso crescimento sobre uma base sólida”, completa o executivo. No país, a Iberia tem um quadro de funcionários de cerca de 100 pessoas, e dois escritórios comerciais no Rio e em São Paulo.

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