Em SP, alugar e pilotar helicóptero é fácil

O Estado de S.Paulo
Sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Reportagem passou por duas portarias do Campo de Marte sem se identificar; voo de 30 minutos custa R$ 990

Não é difícil ter acesso a um helicóptero no Campo de Marte, na zona norte de São Paulo. No ano passado, o local foi usado para o aluguel de aeronaves e aulas de pilotagem por integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) envolvidos em um plano – descoberto pela polícia – de resgatar chefes da facção no interior.

Voos panorâmicos de 30 minutos ou de uma hora, por exemplo, não exigem que os interessados passem por revista ou por detectores de metais. O Estado esteve ontem nos hangares de duas empresas e constatou que os voos geralmente são feitos em helicópteros do modelo Robinson 44, onde cabem três passageiros e o piloto.

A viagem de meia hora custa R$ 990. Por 60 minutos, o passeio sai pelo dobro. Para voar, é preciso preencher um cadastro com informações pessoais de todos os tripulantes. No dia do voo–que só é feito com um pedido de, no mínimo, 24 horas de antecedência –, basta apresentar o RG de cada um.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou que o nome da LRC Táxi Aéreo, onde os criminosos alugaram dois helicópteros, aparece em “duas empresas inoperantes”. As duas portarias para a operação venceram em 2004 e 2011, segundo a agência. Representantes da LRC não foram encontrados ontem no hangar da empresa. Ainda de acordo com a Anac, o helicóptero de prefixo PT YJF, que, segundo a polícia, teria sido um dos usados pela facção, “é privado e não pertence à empresa LRC”.

Aulas. Um dos suspeitos de participar do esquema chegou a ter aulas de pilotagem na Escola de Aviação JR Helicópteros, que, segundo funcionários de outras empresas, fechou as portas no ano passado. A Anac informou que revogou a autorização da escola em julho de 2013. A reportagem não conseguiu contatar seus representantes.

Em outras escolas do Campo de Marte, o preço da aula varia de R$ 720 a R$ 850. Os cursos costumam ser ministrados em modelos Robinson 22, para duas pessoas. Para o curso de piloto comercial, é preciso fazer uma prova na Anac. A reportagem conseguiu passar por duas portarias sem se identificar, chegando perto da pista onde ficam as aeronaves.

A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) informou que a responsabilidade sobre o acesso dos passageiros aos helicópteros é das empresas prestadoras de serviços, que são concessionárias. Por sua vez, a Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero (Abraphe) afirmou que não se manifestaria sobre o caso. / CAIODO VALLEeM.G.

● Pela cidade

O itinerário comum de voos panorâmicos é a Marginal do Tietê, o centro e as egiões da Avenida Paulista e do Pacaembu. Em voos mais longos, o percurso é esticado até a zona sul.

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