Gol acelera passo em fevereiro e encosta na TAM

Valor Econômico
18/03/2014 às 05h00

Por João José Oliveira | De São Paulo

O desempenho da Gol em fevereiro permitiu à empresa reduzir em 85% a diferença, em termos de demanda, que a separa da líder do mercado TAM, controlada pela Latam, na comparação com os números que existiam no mesmo mês de 2013.

Em fevereiro do ano passado a Gol tinha uma demanda 18,2% menor que a da TAM – em termos de passageiros transportados por quilômetros voados (RPK, na sigla em inglês), indicador mais usado pela indústria da aviação. Mas como no mês passado, a Gol cresceu 19,5% e a TAM teve avanço de apenas 0,5%, nesse mesmo indicador, a diferença entra as duas passou a ser de apenas 2,73%.

Analistas de mercado apontam que enquanto a TAM ainda está em meio ao processo de captura de sinergias após a fusão com a chilena LAN; a Gol já está colhendo os resultados do forte ajuste feito a partir de meados de 2012 – que incluiu o corte de 3 mil funcionários, redução de 15% na oferta, foco em receitas extras por meio de assentos com maior espaço e venda de produtos a borde em vez de distribuição gratuita de alimentos e bebidas.

Com essas ações, a Gol elevou a receita por passageiro (Prask, na sigla em inglês) em 27% em fevereiro, ante o mesmo mês do ano passado. A taxa de ocupação, na mesma base, 12,7 pontos percentuais, a 76,7%. E a combinação desses dois indicadores sustentou o aumento da tarifa paga por cada passageiro (yield) em 6%.

“Os números de fevereiro corroboram o começo de ano positivo para a Gol, um importante indicador antecedente para o desempenho do primeiro trimestre de 2014”, disse o analista do Banco do Brasil Investimentos, Mário Bernardes Junior.

Já os analistas do Bank of America Merrill Lynch, liderados por Sara Delfim, ponderaram, em relatório, que a Gol se beneficiou de uma base de comparação baixa em fevereiro de 2013 – naquela época a empresa estava bem no meio do processo de reestruturação. Esses profissionais também apontaram que a aérea foi favorecida por eventos pontuais, como o Carnaval, que começou no último fim de semana de fevereiro e terminou em março.

A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) projeta para este ano um crescimento de 7,5% na demanda somada das quatro maiores do setor. Segundo a entidade, os dados de janeiro – os mais recentes já compilados – foram recordes. A demanda consolidada subiu 7,6% acima do registrado em janeiro de 2013, e a oferta avançou 6%.

Analistas de mercado apontaram que a Gol pode estar mais bem posicionada que a TAM para explorar esse crescimento de mercado, desde que o câmbio e o preço combustível não atrapalhem. “Volta a nos preocupar a alta de 8% no custo do combustível, tendo em vista que em janeiro a elevação de 9% já havia sido bastante intensa para aquele período”, disse Bernardes Junior, do BB Investimentos. Combustível representa, em geral, 40% dos custos de uma companhia aérea. E, no caso da Gol, mais de dois terços das despesas operacionais são denominadas em dólar e 90% da receita é apurada em reais.

A TAM, por sua vez, que tem por trás o controle da chilena LAN, faz cerca de 50% das vendas em moeda estrangeira – o que funciona como uma proteção cambial natural. Mas especialistas lembram que a TAM atravessa um período de ajuste. Antes do Carnaval, por exemplo, a companhia republicou o balanço de 2012 para incorporar, naquele exercício, mais de R$ 1 bilhão em perdas provocadas por erros na contabilização de receitas de vendas de passagens. A diferença acabou sendo coberta pelos controladores da Latam, conforme publicou o Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, em 5 de março.

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