Oferta de LAN e TAM é ajustada e prejuízo recua

Valor Econômico
19/03/2014 às 05h00

Por João José Oliveira e Tatiane Bortolozi
De São Paulo

A Latam, maior aérea da América Latina formada pela chilena LAN e a brasileira TAM, faturou US$ 13,27 bilhões no ano passado, com uma redução de 0,3% em relação a 2012. O prejuízo caiu 46,3%, para US$ 281,1 milhões.

No quarto trimestre, a Latam reduziu em 33,9% o prejuízo, para US$ 46,1 milhões. E a receita líquida alcançou US$ 3,4 bilhões, com queda de 2,1% sobre os US$ 3,47 bilhões apurados um ano antes. O recuo resulta de uma baixa de 0,8% no faturamento com passageiros, como reflexo de medidas de corte de capacidade, para US$ 2,84 bilhões, além da baixa de 10,8% no segmento de carga, para US$ 479,7 milhões. A variação inclui a depreciação de 10,6% do real.

Segundo a companhia, a redução do prejuízo foi alcançada com a racionalização da oferta das operações internacionais de passageiros, o que ajudou a cortar custos. Entre 2013 e 2012, as despesas operacionais caíram 3,9% e, no quarto trimestre, 6,5%.

O ajuste na oferta também tornou a operação da companhia mais eficiente, o que levou a Latam a elevar em 166,1% o lucro operacional no quarto trimestre, para US$ 234,9 milhões. No ano, o ganho operacional atingiu US$ 643,9 milhões, ou 605% mais que em 2012.

Para 2014, a Latam trabalha com um cenário em que é possível ter uma taxa de crescimento de dois dígitos no Brasil, sem aumentar a oferta de assentos. O vice presidente de finanças do grupo, Andrés Osorio, disse durante teleconferência com analistas ontem, que terá um horizonte mais claro após o fim do primeiro trimestre de 2014, mas adiantou que um crescimento de dois dígitos é “sustentável”. No último trimestre de 2013 a TAM teve um aumento de receita de 11,3%, considerando passageiro por quilômetro voado.

Osorio afirmou que a receita no Brasil será impulsionada pelo aumento da taxa de ocupação e também por reajustes de tarifas: “Há oportunidades ainda de crescimento da taxa de ocupação em algumas rotas. Mas também olhamos para as tarifas”.

Os investidores reagiram positivamente ao balanço que a Latam Airlines divulgou na noite de segunda-feira, após o fechamento dos mercados. Na bolsa de Santiago as ações da empresa subiram 0,60% para 8.222 pesos chilenos. Em Nova York a alta foi de 1,26% a US$ 14,48.

No quarto trimestre de 2013, a TAM atingiu uma taxa de ocupação de 81,6%, 1,6 ponto percentual acima da apurada em 2012. A companhia atribui o saldo negativo a uma perda cambial, de US$ 142,6 milhões, reconhecida em sua maior parte pela TAM, como resultado da desvalorização do real no trimestre. A Latam disse que tem como foco em 2014 reduzir a exposição à moeda brasileira até junho.

A Latam apontou que trabalha com um cenário para o Brasil em 2014 com manutenção da oferta de assentos para os passageiros. Já para os países de língua espanhola, a companhia planeja aumentar entre 6% e 8% a disponibilidade de lugares para os clientes na comparação aos números de 2013.

Para as operações de carga, que respondem por metade do faturamento da Latam, o plano é trabalhar com uma oferta que fique entre 2% menor a estável em relação aos níveis de 2013.

A Latam projeta ainda para 2014 alcançar uma margem operacional – lucratividade antes de juros e impostos (margem Ebit) entre 6% e 8%, excluídos nessa conta os custos não recorrentes com a reestruturação da frota. Nessa estimativa, a Latam assume um ambiente macroeconômico com dólar médio de R$ 2,40 e preço do combustível a US$ 120 por barril.

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